Mais de 27 mototaxistas mortos em assaltos

(Fotos de Pedro Nicodemos e Carlos Augusto)

Kupapatas foram mortos quando tentavam resistir a assaltos nos municípios de Cacuaco, Viana e Belas. As ocorrências aconteceram de 10 de Janeiro a 8 de Maio do ano em curso.

pedroAssociação dos Mototaxistas de Angola (AMOTRANG) está a preocupada com a onda de assaltos quem têm vitimado os seus associados. Só no período de 10 de Janeiro a 8 de Maio de 2016, esta instituição registou, ao nível da província de Luanda, cerca de 127 roubos de motorizadas, 88 dos quais com recurso a armas de fogo. Destes roubos, 27 mototaxistas foram mortalmente baleados e 57 sofreram ferimentos graves. Segundo o presidente da AMOTRANG, Bento Rafael, os municípios de Cacucuaco, Viana e Belas são as zonas de Luanda que foram palco das ocorrências que enlutaram dezenas de famílias. Grande parte dos assassinatos tiveram lugar porque as vítimas fizeram resistência ao assalto dos seus meios, exdetalhou a fonte.

“Notámos que grande parte das mortes só acontecem porque há resistência dos nossos associados. É que, por ser o seu único meio de sustento, não aceitam entregar as motorizadas. E os marginais não gostam disso. Por esse motivo é que se socorrem da força para realizarem os seus propósitos. O que é muito mau, são vidas que se perdem”, lamentou. Comparativamente aos anos anteriores, Bento Rafael frisou que a onda de perseguições e assaltos a mototaxistas tem disparado em Luanda. Esta situação, explicou, está ligada a alta de desemprego e à falta de ocupações nos tempos livres a que muitos jovens estão votados e que no crime encontram a única saída para sobreviver. “Ainda não chegámos a meio do ano e já estamos com este número expressivo. Inquieta-nos muito. Se andar pelos bairros verá boa parte dos jovens desempregados, sem ocupação.

Estes é que cometem as acções delituosas contra os   nossos associados. E o mais perigoso, é que tiram vidas”, explicou. De acordo com Bento Rafael, os crimes acontecem maioritariamente nos períodos da manhã e da noite. Os jovens mototaxistas provenientes da parte Sul do país são os que mais têm sido mortos.

“E sempre que são assassinados somos obrigados a fazer a transladação dos corpos e a apoiar nas despesas do óbito. A maior parte destes jovens são de famílias com baixo rendimento. Entram nessa actividade porque não têm alter  nativas”.

O presidente da Associação dos Mototaxistas de Angola referiu ainda que o fraco policiamento no interior dos bairros facilita a vida dos marginais que agem ao seu bel prazer, munidos de armas de fogo e outros meios para intimidar as suas vítimas. “A Polícia nacional tem sido nossa parceira.

Mas seria bom se reforçassem o patrulhamento nos bairros. Não podemos continuar a registar a morte de jovens indefesos que, à semelhança de outros, lutam para sobreviverem com enormes dificuldades, mas com justiça.

Sem prejudicar ninguém”, atestou Bento Rafael, que controla, por via da AMOTRANG, mais de 300mil mototaxistas em todo o país. Contactado por este jornal, o porta-voz do Comando Provincial da Policia Nacional, Mateus Rodrigues, não aceitou pronunciar-se sobre o assunto, tendo remetido o caso à intendente Engrácia Costa, chefe do Gabinete de Comunicação   e Imagem, que também se mostro indisponível.

Mototaxistas optam por justiça por mãos próprias

Cansados da presente onda de assaltos, mototaxistas entrevistados por OPAÍS, disseram que umas das vias para acabar com o roubo de motorizadas consiste em apostar na justiça por mãos próprias. Em viana, Belas e Cazenga, a prática já é muito frequente, asseguraram os operadores. Nessas zonas, sempre que um meliante é flagrado, é espancado e só depois é conduzido a Polícia.

“Primeiro agimos da nossa maneira, só depois é que a Polícia actua. É que são muitos assaltos. Eles não têm pena de nós. Todos os dias, aqui rouba-se motorizadas. São custos. Não podemos continuar a temê-los. Por isso é que às vezes recorremos a justiça pelas nossas próprias mãos”, afirmou Paulo Daniel, mototaxista do município de Viana.

Formar para evitar acidentes

Outro aspecto que continua a preocupar a direcção da AMOTRANG prende-se com os acidentes rodoviários envolvendo mototaxistas. O desconhecimento do Código da Estradas é a principal razão deste mal que, só no primeiro semestre do ano passado, registou um total de 364 acidentes que resultaram na morte de 237 pessoas e no ferimento grave de outras 402. Para solucionar o problema, Bento Rafael disse que a sua associação continua a apostar no processo de formação dos operadores de mototáxi.

Desde 2014, está em curso, em todas as províncias, um processo de formação sobre o Código da Estrada, que está a ser ministrada por técnicos da AMOTRANG em parceria com as direcções provinciais de Viação e Transito. A ideia, segundo o mesmo, é dotar os seus associados de conhecimentos práticos sobre os regulamentos do Código da Estradas para que os mesmos exerçam a actividade com responsabilidade. (opais)

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