Liberdade de imprensa em Angola regista retrocessos

Falta de liberdade de imprensa (Vladimir Voronin)

Opinião é de jornalistas, académicos e activistas.

Jornalistas, académicos e activistas da sociedade civil angolana reflectiram nesta segunda-feira, 2, o estado da comunicação social em Angola.

Todos são unânimes em considerar ter havido retrocessos em matéria de liberdade de imprensa.

Fernando Macedo, professor universitário, é de opinião que um grupo de indivíduos apoderou-se dos meios de comunicação social do Estado para limitar as liberdades de todos e transformou os profissionais nos melhores activistas do partido governamental.

Macedo afirma que no país não há liberdade de imprensa e que Angola tem um sistema completamente ditatorial.

“Dizem alguns cientistas que aquilo que nós temos é uma ditadura neo-patrimonialista, que é uma ditatura em que quem exerce o poder apropria-se dos bens do Estado e distribui-os como se fosse propriedade sua” disse Macedo que, por isso, afirmou “não estar de acordo com aqueles que exercem cargos de direcção e pactuam actos contra a liberdade de imprensa”.

Por seu lado, Mário Paiva, jornalista e fundador do MISA-Angola, apontou as fragilidades a que são submetidos os jornalistas e meios de comunicação social e desafiou os jornalistas a serem mais solidários entre eles.

Na ocasião, Paiva apelou o Sindicato dos Jornalistas Angolanos a fazer mais para os seus filhados.

“A solidaridade activa e a circulação da informaçao é muito importante para que as liberdades possam ser defendidas”, disse.

Ao intervir no evento, o activista e jornalista Rafael Marques acusou os padres de venderem a rádio Ecclesia, ao poder político: “sobre a Ecclesia, o que podemos aqui dizer é que não se deve juntar dinheiro para apoiar quem quer que seja, mas sim processar aqueles que fizeram com que os apoios fossem embora, o que quero dizer é que os padres venderam a Rádio Ecclésia e ponto final”, disse.

Já Alexandre Neto Solombe, presidente do Misa-Angola, lembrou que a análise apresentada visa ilustrar o estado actual da imprensa em Angola.

O evento foi organizado a propósito do Dia Mundial da Liberdade da Imprensa, que se assinala amanhã. (VOA)

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