Laúca vai reforçar a oferta

Ministro João Baptista Borges quando apresentava o nível de execução do projecto que a partir do ano de 2017 poderá agigantar o sistema nacional de energia eléctrica. (Foto: Contreiras Pipa)

O aproveitamento hidroeléctrico está inserido no amplo programa estratégico em curso no sector e tem como objectivo principal assegurar a industrialização e o desenvolvimento sustentável do país.

As obras de construção do aproveitamento hidroeléctrico de Laúca, na província do Cuanza Norte, estão já executadas na ordem dos 71 por cento, sendo que, até Dezembro do ano em curso, poderão atingir os 95 de execução, segundo garantiu o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, durante a visita que efectuou, recentemente, para avaliar o grau de cumprimento.

Em declarações à imprensa, o ministro esclareceu que a “velocidade” que Laúca impõe é comparada a de um “cruzeiro”, tendo em conta o ritmo acelerado dos trabalhos, quer na vertente da construção civil, com realce para o já visível paredão principal, quer na instalação dos equipamentos electromecânicos que envolvem a central de máquinas.

O governante sublinhou que os projectos estruturantes em curso no sector eléctrico, nomeadamente a barragem de Laúca, Cambambe II (Cuanza Norte) e o Ciclo Combinado do Soyo (Zaire), vão contribuir para aumentar a capacidade de produção que actualmente é fornecida.

Reduzir o défice

Segundo o titular da pasta, a intenção é quintuplicar a capacidade de oferta, tendo em conta o défice que se regista actualmente em todo o território nacional, sobretudo em Luanda, onde o fornecimento atinge um terço da capacidade que se oferece.

Para se ultrapassar estas dificuldades, João Baptista Borges revelou que estão em curso três importantes projectos que poderão resolver algumas restrições, apesar de reconhecer que “a electrificação à escala do país não vai ainda ser garantida”.

Por outro lado, explicou que o plano de desenvolvimento do sector da energia prevê ainda outros projectos no domínio do transporte, que vão permitir interligar várias regiões do país, com o aumento do acesso da população à rede de electricidade.

“O plano de desenvolvimento tem um horizonte de execução que ultrapassa o ano de 2017”, realçou, acrescentando que foi elaborado para ser cumprido até 2025, o que vai permitir que 60 por cento da população tenha acesso à electricidade “limpa” e de baixo custo.

Fornecimento garantido

Na visão do titular do sector, quando se aborda a questão do reforço da capacidade de energia eléctrica, “estamos a falar em três domínios, nomeadamente aumentar a capacidade de geração, ampliar a rede de transporte de energia e ampliar os investimentos na rede de distribuição, para permitir mais ligações domiciliares”.

Segundo disse, o planeamento do sector contempla altos investimentos na produção e construção de redes de transporte, que já estão a ser erguidas e vão possibilitar escoar energia para as províncias de Luanda, Huambo e Huíla, a partir de Laúca.

Está igualmente prevista no orçamento a execução dos sistemas Norte, Centro e Sul, o que poderá gerar 600 mil ligações domiciliares em todo o país, das quais 400 mil serão feitas na capital.

Questionado sobre o impacto que se criou em relação à barragem de Capanda e agora com o surgimento de Laúca, João Baptista Borges referiu que o aproveitamento hidoreléctrico de Capanda foi desenvolvido numa época em que a população do país e em particular a de Luanda não tinha atingido os números actuais.

Actualmente, justificou, a província de Luanda conta com quase sete milhões de habitantes, o que quer dizer que o consumo de energia cresce todos os dias.

Lembrou que o plano nacional de desenvolvimento, sobre o qual assenta todo o programa do sector eléctrico, foi feito à medida da projecção da população, crescimento do mercado e em função do surgimento de novos pólos industriais, “por isso, são obras planeadas para médio e longo prazo”.

O ministro recordou que o aumento da capacidade de oferta deve implicar a racionalização do consumo por parte das populações.

A barragem de Laúca é o segundo maior projecto hidroeléctrico de África e o maior no país. (jornaldeeconomia)

Por: Xavier António

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