“Já digerimos todas as perdas de Angola”

(Foto: D.R.)

Na primeira entrevista como presidente-executivo da Unicer, Rui Lopes Ferreira revela que o “desafio angolano” foi superado e esse mercado deixou de ser um problema. Moçambique é a aposta que se segue. Em 2016, os sinais “são animadores e gratificantes” em todas as frentes. A evolução favorável do mercado doméstico e na generalidade dos mercados de exportação permitiram ao líder português das bebidas cicatrizar, em 2015, as feridas angolanas. Se a faturação caiu 5% (€454 milhões) e os lucros 18%, para €27 milhões, a rentabilidade operacional (EBITDA) não foi afetada (€84 milhões). Nos 334 milhões de litros de cerveja vendida, o peso da exportação regrediu para um terço.

Um ano depois, está mais otimista ou mais preocupado do que quando se tornou presidente-executivo da Unicer?

Estou moderadamente otimista e, acima de tudo, realista. Temos sinais positivos e a consciência de que há nuvens no horizonte. Em 2015 as exportações, expurgando Angola, cresceram 17% e a receita no mercado interno cresceu 10%, beneficiando da valorização do mix de vendas e do dinamismo do canal de hotelaria e restauração. Os primeiros meses de 2016 são animadores. Na frente externa, crescemos em todas as geografias. E o mercado interno está dinâmico, por via da confiança dos consumidores e impulsionado pela atividade turística. Mas os meses de verão é que contam.

E o desafio do mercado angolano, em que perderam €60 milhões de vendas?

O desafio está superado. A boa notícia é que o efeito Angola está digerido, o contributo comercial é residual. Ajustamos pela via dos proveitos e dos custos. Diria que as perdas de Angola foram neutralizadas em um terço pelo crescimento das receitas e em dois terços pelo corte de custos — encerramento da base de Santarém e redução em 10% da força laboral. Nas receitas, foi o efeito conjugado das vendas em Portugal, com o consumo no canal mais rentável (restauração) a subir pela primeira vez numa década. E todas as frentes de exportação, da Europa ao Oriente, correram bem.

Nenhum mercado ou negócio lhe tira o sono.

Felizmente, não. Vivemos uma fase de serenidade que nos permite dormir bem. Angola é um tema do passado. A empresa paga dividendos, reduz a dívida e o balanço sólido permite encarar desafios que possam surgir. O essencial é, neste ambiente tão volátil, agir com rapidez e ter as equipas motivadas. (expresso)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA