Inspector da UNITA morto numa “emboscada” em Benguela

Bandeira da UNITA (AP)

Fernando Sachepa, inspector provincial, foi atacado com zagaias, paus e catanas.

O inspector da UNITA em Benguela foi assassinado esta quarta-feira, 25, numa emboscada protagonizada por supostos militantes do MPLA contra uma caravana de deputados que saíam de um acto político e partidário na comuna da Capupa, município do Cubal.

O partido de Isaías Samakuva presume que existam mais mortos, tendo em conta os feridos e desaparecidos, e acrescenta que o ataque ocorreu sob olhar atento de agentes da Polícia.

Na hora do repúdio, o deputado Adalberto da Costa Júnior estranha que não tenha havido uma única detenção, referindo não ter visto nunca uma emboscada contra representantes do povo.

A UNITA diz que Fernando Sachepa, o inspector provincial, foi atacado com zagaias, paus e catanas, numa emboscada antecedida de actos de intolerância política, com realce para ameaças e troca de bandeiras do ‘galo negro’ por algumas do partido no poder.

Da aldeia de Cambulo à sede comunal da Capupa, um percurso feito sem segurança, conforme a denúncia, a caravana, integrada ainda pelos deputados Alberto Ngalanela e Anita Filipe, terá sido confrontada com sucessivos ataques.

Foi o corolário, diz o líder da bancada parlamentar, de uma acção que só surpreende pelo nível de violência.

‘’À chegada, encontrámos actos de intolerância em acção, com militantes escondidos, casas destruídas, bens roubados e pessoas agredidas. A nossa chegada foi um alívio para as pessoas, gastámos tempo, duas ou três horas, num trabalho de mediação’’, explica.

Numa mensagem dirigida aos órgãos de justiça, o político diz ter vivido um cenário que impõe responsabilização.

‘’Propusemos que a Polícia deixasse efectivos para a protecção das pessoas, mas não aceitou. Então, decidimos levá-las até à sede comunal e, no percurso, fomos vítimas de um ataque violento, foram emboscadas regulares ao longo da caminhada’’, realça o parlamentar, antes de ter lamentado a existência de feridos e desaparecidos.

Adalberto da Costa Júnior fala em quatro desaparecidos e sublinha que as escaramuças são mais do que um mero acto de intolerância.

‘’Não penso que possamos falar só em intolerância, é muito mais. Aquilo foi mesmo para matar, objectivamente para matar’’, sustenta, realçando que ‘’as coisas só acontecem porque os culpados, regra geral, nunca são punidos conforme a lei’’.

Antes da viagem ao Cubal, Costa Júnior reafirmava o que o seu partido chama de manobras para uma nova fraude eleitoral, tendo salientado, em conversa com universitários, que a degradação do país exige mudança.

No momento em que expedíamos esta peça, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia, Pinto Caimbambo, preparava um comunicado de imprensa sobre o assunto.

Entre os feridos e desaparecidos, sabe a VOA, estarão agentes da Polícia Nacional.

O MPLA, segundo o secretário para Informação, David Naenda, está à espera de um informe da sua representação no Cubal para que possa vir a terreiro abordar o assunto. (VOA)

por João Marcos

1 COMENTÁRIO

  1. É logico que isso acontece quando nos seus comícios, a UNITA utiliza tons agressivos e ameaçadores dando a entender que ainda não esqueceram a GUERRA. A UNITA só sabe criticar, ameaçar e intimidar. Eu ainda não ouvi nenhum discurso bonito ou elogiador da UNITA quando é feito nas Aldeias ou comunas. Isto é feio e assim não vão a lado algum. Quando moderarem a linguagem e utilizarem discursos mais reconciliadores com elogios a coisas boas feitas pelo estado, então verão que muita coisa mudará a favor deles. Vejam como faz o MPLA, dificilmente fala dos outros partidos políticos é assim que deve ser. APRENDAM e nunca mais terão problemas

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