Ingerência externa e crescimento demográfico são desafios para África

Director para África, Médio Oriente e Organizações Regionais do Mirex, Joaquim do Espírito Santo (Foto: António Escrivão)

A ingerência externa e o crescimento demográfico constituem desafios que os países africanos devem enfrentar com vista à sua total integração.

A constatação é do director para África, Médio Oriente e Organizações Regionais do Ministério das Relações Exteriores (Mirex), Joaquim do Espírito Santo, em entrevista à Angop, a propósito do Dia de África (25 de Maio).

O responsável referiu que a população africana está a crescer rapidamente e até ao ano 2050 estima-se que venha a atingir 1,4 mil milhões de habitantes.

Joaquim do Espírito Santo afirmou que este facto vai trazer consigo novos desafios para o continente em termos de segurança alimentar, aliada a outras questões a que África deverá dar resposta.

O embaixador realçou que África continua a enfrentar problemas de ingerência externa, pois o continente tem vários recursos no seu subsolo e por essa razão tem sido cobiçado.

“Neste contexto, é necessário criar mecanismos fortes para poder fazer face a esses desafios, sobretudo evitar que continue a haver ingerência na solução dos seus problemas internos porque o principal objectivo da mesma não é outro senão o de fragilizar o continente para poder explorar os seus recursos minerais”, sustentou.

Joaquim do Espírito Santo apontou igualmente problemas ligados ao endividamento externo por parte dos países africanos, facto que se tem tornado num entrave para tornar as suas economias pujantes.

Este pressuposto tem provocado a falta de pagamento das respectivas quotas a União Africana, contribuindo para que a organização continental tenha grandes dificuldades para concretizar os seus projectos estruturantes para cumprir com os objectivos que levaram a fundação da Organização da União Africana (OUA) a 25 de Maio de 1963.

Para fazer face aos problemas que o continente enfrenta, Joaquim do Espírito Santo é da opinião que é preciso criar mecanismos para a integração do continente, do ponto de vista não só politico mas também económico.

“Esta integração deve sustentar esta luta que continua a ser levada a cabo pelos países africanos, que tem como ponto mais alto o alcance da independência politica” , sustentou.

A criação da OUA, a 25 de Maio de 1963 tem um simbolismo muito grande, pois nessa altura os pais fundadores, inspirados pelo panafricanismo, desencadearam uma luta de libertação dos povos de África, cujo objectivo foi cumprido com a proclamação das independências politicas de todos os países que integram o continente. (ANGOP)

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