Homens povoaram a Florida há 14.550 anos, 1.500 antes do que se pensava

(Arquivo) Pântano no Parque Nacional Everglades, na Flórida, no dia 5 de agosto de 2010 (afp_tickers)

A descoberta de ferramentas de pedra e ossos de animais no estado da Florida demonstra que o homem viveu no sudeste dos Estados Unidos há mais de 14.550 anos, 15 séculos antes do que se pensava, segundo uma pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista americana Science Advances.

“Esta descoberta abre uma nova porta para o passado, para tratar de compreender a história do povoamento da América”, afirmou Jessi Halligan, professora de antropologia da Universidade do Estado da Florida e co-autora do estudo.

“É muito emocionante porque pensávamos que sabíamos como e quando os primeiros homens chegaram aqui, mas isso agora mudou”, completou.

Muitos lugares arqueológicos da América do Norte datam de cerca de 13.200 anos, o que remete ao período chamado Clóvis, que foi por muito tempo considerado como a primeira cultura americana.

Os ancestrais dos indígenas chegaram da Sibéria há provavelmente 15.000 ou 16.000 anos atravessando a Beríngia, um pedaço de terra submersa hoje no estreito de Bering, para chegar ao Alasca, território ainda hoje coberto de geleiras.

Apenas cinco lugares em todo o continente remontam a mais de 13.200 anos, afirmaram os pesquisadores.

Evidências arqueológicas que datam de 14.000 a 15.000 anos mostram que os homens estavam bem adaptados ao seu entorno nos estados do Texas, Washington, Oregon, Pensilvânia, Wisconsin e na América do Sul.

“Está claro que o povoamento do continente americano é mais antigo do que pensávamos”, concluem os pesquisadores.

Os objectos foram encontrados em espessas camadas de sedimentos no fundo de um poço de oito metros e no fundo do rio Aucilla, a 45 minutos da capital do estado, Tallahassee, e consistem em oito ferramentas de pedra e no canino de um mastodonte, uma espécie de mamute. O canino tinha marcas profundas feitas com um instrumento.

Um segundo olhar

Halligan e seu colega, Michael Waters, da Texas A&M University, decidiram reexaminar o sítio, onde trabalharam entre 2012 e 2014. Conseguiram extrair mais ferramentas de pedra e ossos de vários animais extintos e realizar datações usando a técnica do isótopo carbono 14.

Daniel Fisher, paleontólogo da Universidade de Michigan (norte), que também participou do trabalho, disse que a pesquisa mostrou claramente que estes primeiros caçadores americanos não aceleraram a extinção dos mastodontes e de outros grandes animais pré-históricos, ao contrário do que pensam alguns paleontólogos.

“Os indícios reunidos no sítio na Florida mostram que os humanos e a megafauna coexistiram durante ao menos 2.000 anos”, disse o cientista.

A análise de esporos fossilizados de fungos Sporormiella, que só crescem nos excrementos animais, mostra que a extinção destes grandes mamíferos aconteceu há cerca de 12.600 anos na América do Norte. (AFP)

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