Hissène Habré “o que esconde o Estado francês?”

Hissène Habré, antigo Presidente chadiano (FILES / AFP)

o antigo Presidente chadiano, Hissène Habré, foi condenado em Dakar, à reclusão perpétua, por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e actos de torturas durante o seu regime de 1982 a 1990.

Hissène Habré foi condenado a prisão perpétua por um tribunal especial criado, em 2013, pelo Senegal e pela União Africana.

Esta foi a primeira vez que um antigo chefe de Estado foi levado a um tribunal de outro país por violações dos direitos humanos.

A comissão de investigação do Chade calculou que a repressão sob o regime de Hissène Habré causou pelo menos 40.000 mortes, das quais 4.000 pessoas conseguiram ser identificadas.

Um dia depois da condenação de Hissène Habré, as vitimas mostram estar aliviadas e exprimem sentimentos de alegria face ao veredicto.

O vespertino francês “Le Monde”, na edição de hoje, apresenta dois relatórios da ONG Human Rights Watch que trabalha desde 1999 sobre o sistema de repressão de Hissène Habré. O jornal descreve a dificuldade que esta Organização Não Governamental teve em aceder aos arquivos oficiais, uma vez que as autoridades francesas recusaram dar acesso aos documentos no decorrer desta investigação

Os relatório devem ser publicados em breve; o primeiro sobre as relações entre o Chade e os Estados-Unidos da América e outro sobre a França – documentos apoiados por inúmeros testemunhos que revelam, nomeadamente, que Paris apoiou o regime Habré “para além da informação que se conheciam”.

O processo responde às reclamações crescentes contra o Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, acusado muitas vezes de julgar apenas líderes africanos, mostrando que o continente pode realizar julgamentos em África.

O antigo presidente chadiano, de 73 anos, tem agora duas semanas para recorrer da sentença. (RFI)

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