Há cinco anos que as telecomunicações sobem mais em Portugal do que na UE

(Bruno Simão/Negócios)

O diferencial de preços face à média comunitária é denunciado num relatório da Anacom. As empresas do sector contestam, lembrando a “queda sucessiva de receitas” nos últimos anos.

Um relatório da Anacom sobre a evolução de preços dos serviços de voz, internet e televisão denuncia que “desde Março de 2011 que os preços nas telecomunicações crescem mais em Portugal do que na União Europeia” (UE).

Segundo o documento citado na edição desta segunda-feira, 2 de Maio, do jornal Público, o diferencial face à média comunitária está a agravar-se há cinco anos. Nos números relativos à UE não estão incluídos, por falta de dados comparativos, o Reino Unido, Irlanda, Suécia e Dinamarca.

Este relatório é referente a dados de Março, mostrando uma subida de 2,78% nos preços em termos homólogos. Tendo por base os dados do Instituto Nacional de Estatística, as telecomunicações sofreram assim o sexto maior agravamento no total de 43 produtos ou serviços considerados para a evolução de preços na economia portuguesa.

A actualização de preços para 2016 neste sector fez com que em Janeiro as telecomunicações registassem um aumento médio anual de 4,23%, isto é, 3,64 pontos acima da inflação, naquele que a Anacom reporta como o maior diferencial desde o início da década. E desde Janeiro de 2014 que os preços das telecomunicações estão a crescer a taxas medias anuais superiores à variação da inflação, insiste a Autoridade.

Em declarações por escrito ao Público, fonte oficial da associação que representa as empresas de telecomunicações (Apritel) contestou que, independentemente de aumentos pontuais em termos nominais, os preços médios dos serviços têm descido e o seu “valor intrínseco tem aumentado constantemente” – considerando as quantidades de tráfego incluídas nas ofertas, velocidade de acesso à internet, número de canais de televisão e as funcionalidades disponíveis.

A Apritel deixou também críticas à Anacom por não acompanhar estes relatórios de uma “contextualização e reflexão crítica”. E lembrando que as empresas do sector têm apresentado nos últimos anos “quedas sucessivas de receitas” ao mesmo tempo que o consumo de serviços tem aumentado, conclui que isto “significa, inelutavelmente, que os preços médios unitários dos serviços de comunicações têm decrescido continuamente”. (Jornal de Negocios)

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