Governo e Esquerda reconhecem: “Há muito trabalho por fazer”

OE2016: Votação final global (TVI24)

Na terça-feira cumprem-se seis meses desde que o PS assinou três “posições conjuntas” separadas com o BE, PCP e PEV, que possibilitaram uma maioria parlamentar para formar um Governo socialista.

O Governo e os partidos da esquerda parlamentar enaltecem o trabalho já feito com seis meses de acordos que viabilizaram o executivo socialista, lançando farpas a PSD e CDS-PP mas reconhecendo que há ainda mais por fazer.

Na terça-feira cumprem-se seis meses desde que o PS assinou três “posições conjuntas” separadas com o BE, PCP e PEV, que possibilitaram uma maioria parlamentar para formar um Governo socialista – os acordos políticos foram assinados na Assembleia da República num gabinete do PS e sem a presença da comunicação social, havendo apenas pontuais registos fotográficos dos momentos.

Ao secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, cabe desde a entrada em funções do executivo liderado pelo socialista António Costa boa parte do diálogo com os vários partidos na Assembleia da República.

O governante, em declarações à agência Lusa, realça a “novidade” que foi a solução de Governo adotada no final de 2015: “Esta solução é uma novidade na nossa democracia, valoriza e enriquece a nossa democracia. Hoje temos uma democracia mais centrada no parlamento, com debate permanente. Para além disso, esta solução de governo está a provar que é possível viver melhor em Portugal”

Reconhecendo que “há muito trabalho por fazer”, nomeadamente a nível de desemprego ou precariedade no emprego, Pedro Nuno Santos enaltece como ponto alto destes meses de trabalho “a aprovação do primeiro Orçamento do Estado por toda a esquerda”.

“A solução de governo apoiada pela maioria de esquerda, que suscitou tantas dúvidas, hoje acho que já não suscita dúvidas a ninguém. É uma solução sólida que tem proporcionado um Governo com estabilidade”, advoga.

De negativo, o governante salta da esquerda para a direita, em concreto o PSD e a sua “ausência do debate do Orçamento”.

Críticas aos sociais-democratas – e também a CDS-PP – são também deixadas à agência Lusa pelos vários partidos que estabeleceram os acordos.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, critica a “política de empobrecimento” do anterior executivo da direita, enquanto o chefe da bancada do PCP, João Oliveira, acusa PSD e CDS-PP de estarem “repetidamente e inclusivamente alinhados com aqueles que têm feito chantagem com o país, as instituições europeias”.

A deputada Heloísa Apolónia, do partido ecologista “Os Verdes”,(PEV) diz que os portugueses quiseram acabar com “as políticas de brutal austeridade que o Governo anterior vinha prosseguindo”, e o vice-presidente da bancada do PS João Galamba fala da reação de alguma esquerda ao termo ‘geringonça’.

“Não há melhor maneira de reagir a um insulto do que com humor e elevação. Não há melhor maneira de desarmar quem insulta do que transformarmos o insulto numa piada de que nós próprios nos rimos. Falta muita coisa à direita. Eu diria que o sentido de humor é a mínima das minhas preocupações”, assinalou o também porta-voz do PS.

Todos os partidos que firmaram o acordo que viabilizou o executivo do PS reconhecem que há mais trabalho a fazer: o PEV fala no “reforço da valorização do património natural”, o Bloco traz para equação a habitação, trabalho, dívida externa e “matérias fiscais e energéticas”, o PCP diz-se disponível para “ir tão longe quanto possível na resposta aos problemas que atingem o povo e o país”.

Pedro Filipe Soares, do BE, diz que o balanço destes seis meses de acordos é “positivo”, mas desde o começo que foram identificadas “várias fases deste caminho”, ideia corroborada pelo socialista João Galamba, que sublinha a união dos partidos em “elementos mínimos de governação” que, na prática, resultam em “elementos máximos para os portugueses” e os seus direitos.

O acordo socialista com a esquerda foi assinado a 10 de novembro de 2015, quando o programa do Governo PSD/CDS que foi formado após as legislativas de 04 de outubro foi chumbado. (TVI24)

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