Futura secretária-executiva da CPLP é “valor acrescentado”

Patrice Trovoada (Lusa)

O primeiro-ministro são-tomense considerou que a futura secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Maria do Carmo Silveira, é um “valor acrescentado” no quadro da transformação organização em estrutura económica para a lusofonia.

“Trata-se de uma personalidade bastante interessante: foi primeira-ministra, ministra das Finanças e governadora do banco central” de São Tomé e Príncipe, afirmou Patrice Trovoada, em entrevista à Lusa, considerando que a sua escolha “pode trazer valor acrescentado”.

Depois de dois mandatos do moçambicano Murade Murargy à frente do Secretariado Executivo, é a vez de São Tomé e Príncipe escolher o nome, tendo sido indicada Maria do Carmo Silveira, que será votada na próxima cimeira da CPLP, que deverá realizar-se este ano, mas ainda não tem data marcada.

“O facto de ser uma mulher é um sinal interessante que damos, sobretudo quando sabemos que quase todos os países membros da CPLP fazem prova de um grande machismo”, disse Trovoada, esperando que esta nova “liderança traga alguns avanços quanto à questão do género” para o espaço de língua portuguesa.

No entanto, mais do que a “liderança técnica” da CPLP, Patrice Trovoada defendeu mudanças na “estratégia política” da instituição, fundada há 20 anos.

“Temos de encontrar um projeto, que seja um projeto bastante inovador e que, sobretudo, vá ao encontro da expetativa da maioria dos membros, que é uma expetativa económica”, afirmou.

Na sua opinião, “a CPLP tem de se tornar num espaço económico de excelência e de atração para todos os seus membros”.

“Se nós chegarmos a construir esse modelo, com a participação de todos, nomeadamente com Portugal e o Brasil, já seria um passo”, afirmou o governante.

Numa “África balcanizada”, a CPLP “tem um modelo único”, reconheceu Patrice Trovoada, esperando que os governos apostem na abertura de laços económicos.

Sobre a entrada recente na CPLP da Guiné Equatorial, vizinha de São Tomé e Príncipe, que foi criticada por vários ativistas de direitos humanos, Patrice Trovoada reconheceu a “hipocrisia das relações internacionais”.

“Se nós não tirarmos proveito das potencialidades de cada um dos membros outros tirarão proveito”, afirmou Patrice Trovoada, comentando os problemas de direitos humanos e o regime do país vizinho.

“Creio que é preciso inverter a análise: existe uma proximidade e um complexo histórico, geográfico e cultural à partida, mas é a partir disso que nós devemos construir”, disse.

“Qualquer país membro da CPLP encontrará na CPLP os seus primeiros amigos” e a “Guiné Equatorial vem de um passado dramático”, com uma “ditadura feroz” logo após a independência, na década de 1960. (Noticias ao Minuto)

por Lusa

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