Ferro de Cassinga para as siderurgias

(Foto: D.R.)

O ministro da Geologia e Minas anunciou ontem, em Luanda, que o projecto Cassinga começa a produzir dentro de um ano 1,8 milhões de toneladas de ferro secundário por ano para abastecer a fábrica siderúrgica Aceria de Angola (ADA), no município da Barra de Dande, Bengo.

Francisco Queiroz prestou essa informação depois de uma visita conjunta com a ministra da Indústria, Bernarda Martins, à ADA, uma siderúrgica com a capacidade de produção anual de 1,5 milhões de toneladas de aço para a construção civil, em forma de varão e chapas. A fábrica está a produzir 500 mil toneladas.
Além disso, acrescentou, dentro de três a cinco anos as minas de Cassinga elevam a capacidade de produção para cerca de dez milhões de toneladas de pélete (grão de minério britado), um produto para ser usado em siderurgia e outros projectos mineiros.
O ministro considerou que a ADA é uma fábrica moderna, mas que ainda não preenche as necessidades do país e vai necessitar de matéria-prima, fundamentalmente de ferro. “Precisa-se de estudar a forma como a fábrica vai adquirir a matéria-prima e transformar em varão de aço”, disse.
Francisco Queiroz lembrou que os dois Ministérios estudaram minuciosamente a capacidade instalada da fábrica e concluíram que há ali um bom potencial para se estabelecer a relação entre a siderúrgica e a produção de minério a curto prazo. Um dos constrangimentos para o bom funcionamento da fábrica é a falta de divisas para importar a matéria-prima.
De momento a fábrica está a produzir com matéria-prima de sucatas, mas precisa de outros elementos.  Para evitar a paralisação da fábrica de aço, esclareceu o ministro, é preciso importar matéria-prima avaliada em 25 milhões de dólares (4.167 milhões de kwanzas).

“Consideramos que, face ao interesse e importância que o Executivo dá à criação de empregos e melhoria de vida das populações, o investimento feito justifica a necessidade imediata de disponibilizar 25 milhões de dólares para a fábrica funcionar sem paralisações”, referiu.

O presidente do conselho de administração da ADA, Georges Choucair, indicou que as importações necessárias dizem respeito a componentes como a liga de aço, que permite concluir o processo produtivo. Outra matéria-prima, como a sucata, está disponível em abundância.
A ADA foi certificada no último mês de Abril com um “Certificado de qualidade do varão de aço para armaduras de betão armado produzido em Angola”. Georges Choucair disse ser esse um marco para a indústria angolana que vai motivar e mobilizar as demais empresas, incentivando nas suas áreas.
A ADA funciona com 460 trabalhadores e vai precisar de mais cem para efectuar dois turnos de trabalho. Até ao momento, a empresa trabalha apenas com um turno. O investimento total da fábrica, de 25 milhões de dólares, pode chegar a 300 milhões de dólares (50 mil milhões de kwanzas).
A visita conjunta está enquadrada nas preocupações do Executivo sobre a interligação entre a indústria siderúrgica e a produção de minério de ferro. (jornaldeangola)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA