Farinha “Feito em Angola” no mercado próximo ano

Há neste momento bons níveis de produção e de produtividade nas zonas potenciais da cultura de trigo. (Foto: D.R.)

Meta faz parte das políticas do Executivo angolano que visa a redução dos actuais níveis de importação de grande parte dos cereais considerados fundamentais para a auto-suficiência alimentar das famílias.

A província do Huambo apresenta condições climáticas para a produção de trigo, com destaque para os municípios do Ecunha, Londuimbali e Chicala-Cholohanga que beneficiam da campanha lançada em Dezembro passado.

Dados fornecidos, recentemente, pela Associação Industrial de Angola (AIA) apontam ainda as províncias da Huíla, concretamente na parte Norte, Bié, Benguela e Malanje, com elevado potencial; sendo que, em algumas já se produzia, em tempos idos, 25 mil toneladas de trigo.

“Durante o período colonial e nos primeiros anos após a independência nacional, o posicionamento da indústria moageira em Angola, particularmente a de farinha de trigo era significativa, quer em termos de volume de produção, como na sua dispersão geográfica, já que existiam cerca de cinco unidades implantadas em Luanda (3), Benguela e Huí la, agora em situação de falência técnica e operacional entre outros constrangimentos”, escreveu recentemente o consultor económico Galvão Branco, num dos semanários da capital.

O município de Cassongue foi, igualmente, na década de 70, um dos poucos produtores de trigo a nível do Cuanza Sul, sendo que hoje alguns camponeses exigem mais incentivos financeiros para o aumento da produção.

O administrador municipal de Cassongue, Germano Armando, adiantou na semana passada à Angop que há, neste momento, bons níveis de produção e de produtividade nas zonas potenciais da cultura de trigo, mas carece de mais incentivos financeiros para os produtores, com vista a se alargar as áreas de produção.

Para um município com 105 produtores de trigo locais, Germano Armando assegura que os incentivos tornam-se indispensáveis, sobretudo quando se quer que o país deixe de importar este produto.

“O município de Cassongue conta com um vasto potencial que precisa de investimentos sérios”, frisou.

Enquanto isto, no Huambo, o projecto de produção de trigo envolve as direcções provinciais da Agricultura e Indústria, o Instituto de Investigação Agrária e a Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade José Eduardo dos Santos. A iniciativa prevê a inserção inicial de 32 empresas, com áreas de produção acima de 500 hectares, devido ao facto de a produção industrial de trigo exigir uma vasta extensão de terra por causa da mecanização, já que a produção actual de trigo está limitada a pequenos agricultores, que trabalham sem padrões mínimos exigidos em termos de qualidade para a industrialização.

A província do Huambo prepara-se assim, para se tornar na principal fornecedora de matéria-prima para os projectos de produção de farinha. É o caso das Grandes Moagens de Angola, que está na linha da estratégia do Executivo no que respeita a produção nacional de farinha de trigo. A localização do projecto foi meticulosamente pensada, em vista, o futuro fluxo de fornecimento de matéria-prima e fornecimento do produto final ao mercado nacional.

Com conclusão prevista para 2017, o projecto terá a capacidade de produzir 1.200 toneladas de farinha por ano, sendo que a área fabril para a transformação do trigo e todos os componentes do sistema de produção começaram já a ser construídos.

O projecto Grandes Moagens é de iniciativa privada, mas pela dimensão e impacto, as autoridades prestam particular atenção. Enquadra-se no processo que visa criar condições para o aumento da produção nacional.

“A primeira fase está a correr a bom ritmo. Temos as obras muito adiantadas, em termos de execução, fundações e estacas, estão praticamente concluídas”, referiu recentemente a ministra da Indústria, Bernarda Martins.

Necessidades do mercado

Importa recordar que segundo dados do Conselho Nacional de Carregadores, Angola importou no quarto trimestre de 2014 mais de 150 mil toneladas de farinha de trigo, ocupando este produto o 5.º lugar na lista dos 100 produtos mais importados nesse período.

Assim, 600 mil toneladas de farinha de trigo é quanto necessita trimestralmente a província de Luanda para atingir a cifra de três milhões de pães de 350 gramas/dia, contra um milhão e meio actuais, segundo dados do Ministério da Indústria.

Esta necessidade poderá ser suprida por um consórcio privado que prevê erguer uma moageira em Luanda, nas proximidades do Porto de Luanda, para beneficiar das facilidades deste terminal portuário, da linha de caminhos-de-ferro e rodoviárias, que circundam a zona. (jornaldeeconomia)

Por: Gaspar Micolo

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