Fábrica de aço precisa de USD 25 milhões para não paralisar produção

(Foto: D.R.)

Cerca de meio ano decorrido sobre a sua inauguração, a ADA – Aceria de Angola- debate-se com dificuldades de acesso a divisas para importar os sobressalentes e a matéria-prima necessárias ao processo produtivo. O ministro da Geologia e Minas garante uma solução.

O ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz disse à imprensa, no final de uma visita que efectuou à fábrica em conjunto com a ministra da Indústria, Bernarda Martins, que a situação é preocupante e vai merecer a atenção devida, tendo em conta o interesse e a importância que a infraestrutura representa para a economia nacional.

De acordo com Francisco Queiroz, este foi o principal constrangimento apresentado pela direcção da fábrica e que se prende com uma situação conjuntural vivida pelo país: o acesso às divisas para a importação.

“Nós consideramos que, face ao interesse e à importância estratégica deste empreendimento e aquilo que significa, não só para o projecto do Executivo, em termos de diversificação das receitas fiscais, como também o interesse local na criação do emprego e a melhoria das condições de vida das populações, e do investimento feito, justificaria de facto olhar para esta necessidade imediata que é a da disponibilização de USD 25 milhões para o arranque desta componente da fábrica que neste momento está parada”, frisou.

Entretanto, acrescentou que as questões de natureza financeira local estão resolvidas, sendo apenas necessária a disponibilização cambial para que se possa efectuar a importação.

De acordo com o governante, a visita realizou-se por iniciativa do Ministério da Indústria no quadro das preocupações do Executivo no que se refere à ligação entre a indústria siderúrgica e a produção de minério de ferro. “Esta indústria tem uma capacidade instalada de produção de 1500 toneladas de aço para a construção civil, quer em forma de varão quer em forma de chapa.

De momento está a produzir apenas 500 mil toneladas. É uma fábrica moderna que vai necessitar e já está a necessitar de matéria-prima. Esta matéria prima é fundamentalmente o ferro”, frisou.

Neste contexto, referiu que o seu pelouro tem em marcha três projectos em fase avançada que, dentro de um ano, poderão produzir cerca de 1,8 milhões de toneladas de ferro secundário, que poderá abastecer esta fábrica, bem como um outro que, dentro de três a cinco anos, produzirá cerca de 10 milhões de pelete, outra matéria-prima usada no processo produtivo do aço.

“É preciso estudar a forma como esta siderurgia pode absorver ou adquirir estes minérios e transformá-los aqui. Estudámos a capacidade instalada, que nos foi apresentada muito minuciosamente, e ficámos convencidos de que há aqui um bom potencial para se estabelecer a relação entre a siderurgia e a produção de minério que temos para curto prazo”, rematou.

Por seu turno, o presidente do conselho de administração da ADA, Georges Choucoir, confirmou que, neste momento, a fábrica está dependente da recepção de peças sobressalentes, matérias-primas e consumíveis, nomeadamente as ligas de aço, refractários e eléctrodos, entre outros componentes que permitem terminar o processo de produção.

“A matéria-prima essencial que é a sucata encontra-se no país. Nós não precisamos de importar a sucata. Precisamos sim de importar outros componentes. Temos em carteira algumas cartas, mas devido à falta de divisas estamos condicionados no nosso processo produtivo a nível da Aceria”, frisou.

Em função desta situação referiu que a fábrica está a trabalhar com apenas um turno na produção da varões de aço de 12 metros para betão armado. Em Abril, a ADA recebeu o certificado internacional referente à qualidade do varão de aço para armaduras de betão armado que, segundo o seu PCA, garante a qualidade do aço produzido em Angola e “dá o passaporte para a exportação do produto para além fronteiras”.

A ADA é a primeira siderurgia angolana que promete criar auto-suficiência no fornecimento de varões de aço ao mercado nacional. É um dos grandes investimentos feitos no país fora do sector petrolífero.

Sobre a ADA

Localização: Barra do Dande, província do Bengo

Investimento inicial: USD 300 milhões

Capacidade instalada: 1500 toneladas/ano

Produção actual: 500 mil toneladas.

Postos de trabalhos criados: 460 empregos directos, dos quais 80% nacionais (opais)

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