Ex-presidente do PSDB de Minas Gerais ligado a Anastasia é detido

Nárcio em imagem de arquivo. (Saulo Cruz Ag. Câmara)

Suspeita é que Narcio Silveira tenha usado obra do Governo para captar dinheiro para campanhas.

Depois de uma temporada de caça às bruxas no PT, o PSDB entrou no alvo da Justiça. O ex-presidente do diretório estadual do PSDB em Minas Gerais Narcio Rodrigues da Silveira foi preso temporariamente nesta segunda-feira em Belo Horizonte durante operação conjunta do Ministério Público, Polícia Federal e Polícia Militar. O tucano, que é próximo do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator do impeachment no Senado, e ex-governador de Minas, teria, segundo fontes ouvidas pelo jornal Folha de S.Paulo, utilizado contratos relacionados à construção do Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex) como meio de captar recursos ilícitos para campanhas eleitorais do PSDB em 2012 e 2014. À época ele era secretário de Ciência e Tecnologia do Governo de Anastasia. A obra em questão foi construída em Frutal, na região do Triângulo Mineiro, cidade natal e reduto eleitoral de Rodrigues.

O ponto de partida da operação foi uma auditoria feita pela Controladoria-Geral de Minas Gerais em 2015, que apontou irregularidades nas obras do Hidroex. As autoridades não divulgaram detalhes sobre quais campanhas eleitorais teriam sido abastecidas com o dinheiro fruto de corrupção. O empresário Maurílio Bretas, dono da Construtora CWP, também foi detido.

A polícia também executou um mandato de busca e apreensão na casa de Silveira, onde foram recolhidos aparelhos celulares, computadores e documentos. Os escritórios do Hidroex também foram palco de buscas das autoridades. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a defesa de Silveira nem de Bretas.

Silveira foi o segundo homenageado por um parente durante a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados a terminar detido. Seu filho Caio Narcio (PSDB-MG), que defendeu o afastamento da mandatária, elogiou o pai em seu voto: “Por um Brasil aonde meu pai e meu avô diziam que decência e honestidade não eram possibilidade, eram obrigação”.

Em abril o prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PSB), foi preso preventivamente por ter supostamente tentado prejudicar o funcionamento dos hospitais públicos da cidade. Dias antes, na votação do impeachment da petista, sua mulher, a deputada Raquel Muniz (PSD-MG), falou que “o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”. Muniz continua preso.

Não é a primeira polêmica envolvendo o nome de Anastasia. O atual senador que foi relator da Comissão Especial do Impeachment que recomendou o afastamento de Dilma este mês, e foi vice de Aécio Neves no Governo de Minas entre 2006 e 2010, já enfrentou questionamentos por ter supostamente cometido o mesmo tipo de irregularidade atribuído à presidenta. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, entre 2010 e 2014, período no qual ocupou a chefia do Executivo mineiro, o parlamentar teria editado decretos de suplementação orçamentária supostamente sem aval do Legislativo – o que configuraria uma pedalada nos moldes das que são imputadas à presidenta.

Ao ser criticado por senadores petistas, Anastasia afirmou que “nenhum cidadão mineiro apresentou pedido de impeachment durante o meu Governo”. “Poderia dedicar parte do meu relatório a explicar minhas contas, mas isto é desnecessário: qualquer arguição que exista será julgada oportunamente”, afirmou o tucano.

O presidente nacional do partido, o também mineiro e senador Aécio Neves, é outro cacique da legenda que enfrenta sua parcela de polêmicas nas últimas semanas. Ele teve o nome citado duas vezes nas conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em menções pouco republicanas. Nos diálogos, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) diz que “todo mundo conhece o esquema do Aécio”, e o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) diz que o tucano está “assustado”.

Dois pedidos de abertura para investigar Aécio feitos pela Procuradoria-Geral da República, no entanto, foram devolvidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes – o último na semana passada. Os processos contra o tucano têm relação com a maquiagem de dados do Banco Rural, de onde teria saído o dinheiro do mensalão tucano, e com o esquema de corrupção em Furnas. Já Marco Aurélio também levantou críticas de alguns advogados ao obrigar a Câmara, por liminar, a analisar pedido de impeachment contra Michel Temer. (EL PAIS)

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