Empresários portugueses à espera de melhores dias em Angola

(DW)

A crise económica angolana afetou negócios de empresários portugueses, obrigando ao retorno de centenas de trabalhadores. Mas a esperança na recuperação “é a última a morrer”, dizem.

A crise económica e financeira angolana abalou as expetativas de muitas das 13 mil empresas portuguesas que apostaram no mercado africano. O setor da construção e obras públicas foi um dos mais atingidos depois da queda mundial do preço do petróleo, a principal fonte de receitas de Angola.

A TopCon, presente no país há oito anos, é uma das firmas que sofre os efeitos da crise.

Houve uma “paragem de grande maioria das obras onde estavam envolvidas empresas que estavam a trabalhar com os nossos produtos”, conta Pedro Araújo, responsável comercial da multinacional. A conjuntura tem obrigado a alguma retração das atividades da TopCon relacionadas com a construção de infraestruturas viárias e ferroviárias, portuárias e outras. A empresa adiou para já a abertura de uma sucursal em Luanda ou Benguela.

Investimento em Moçambique

Com menor expressão, Moçambique também é atingido pela queda do preço das matérias-primas, mas muitas empresas permanecem no país.

O plano de desenvolvimento nacional dispõe de mil milhões de dólares destinados a investimentos na área da construção civil para os próximos quatro anos. Segundo a conselheira comercial da embaixada moçambicana em Lisboa, Filomena Malalane, “neste momento, o grande desafio é construir infraestruturas que sirvam a economia como um todo”.

Moçambique “é um mercado com grande potencial. Está a surgir uma classe média com algum poder de compra que precisa de habitação, porque a maioria é jovem”, explicou Malalane, na semana passada, durante a 18ª edição da Tektónica – Feira Internacional de Construção e Obras Públicas, que decorreu na capital portuguesa.

“A esperança é a última a morrer”

Moçambique oferece, por isso, esperanças aos parceiros lusos, tal como Angola, onde se projeta também a reabilitação de infraestruturas.

Portugal é aliciado como um dos parceiros preferenciais, de acordo com Cláudio Rodrigues, diretor nacional da Unidade Técnica de Investimento Privado e consultor económico do Ministério da Construção.

“O setor da construção em Angola, pelas perspetivas que nós apresentamos, vai ter um crescimento de cerca de 3,5 por cento, com base nos dados que serviram para o relatório de formatação do Orçamento Geral do Estado. Portanto, apesar dessa desaceleração económica e desse clima mundial de recessão, vamos ter um ligeiro crescimento e naturalmente contamos com Portugal para o processo de diversificação e modernização das nossas infraestruturas”, diz Rodrigues.

Pedro Araújo, da multinacional portuguesa TopCon, acredita que dias melhores se seguirão a esta crise petrolífera. Manuel Reis Campos, presidente da Associação portuguesa dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), partilha da mesma opinião: “Estamos esperançados que Angola volte ao seu ritmo e ocupe um lugar cimeiro em termos de potencial de infraestruturas que necessita.

Para estes empresários portugueses, “a esperança é a última a morrer”. (DW)

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