Director do zoológico americano onde gorila foi abatido defende acção

O gorila Harambe, em foto cedida pelo zoológico de Cincinnati (afp_tickers)

O director de um zoológico dos Estados Unidos defendeu, na segunda-feira, o abate de um gorila para salvar uma criança que tinha entrado na jaula do animal, em meio a críticas e petições contrárias à acção.

Harambe, um gorila macho das planícies ocidentais de 17 anos, foi morto a tiros no sábado no zoológico de Cincinnati, no estado de Ohio, após um menino de quatro anos ter ultrapassado uma barreira e caído de uma altura de quase cinco metros em uma poça dentro do habitat do animal.

Um vídeo mostra Harambe agarrando a mão do menino e puxando-o pelo fosso cheio de água, enquanto visitantes do zoológico gritam.

Funcionários do zoológico disseram estar desolados com a perda de Harambe, mas alegaram ter tido de fazer uma escolha rápida para resgatar o menino.

“A vida daquela criança estava em perigo, e as pessoas que questionam isso (…) não entendem que você não pode assumir os riscos com um gorila adulto”, disse a jornalistas o director do zoológico, Thane Maynard.

O gorila, de mais de 180 quilos, era cerca de seis vezes mais forte do que um homem, e estava confuso e desorientado, acrescentou Maynard.

“Esse é um animal que eu já vi pegar um coco e esmagá-lo com uma mão”, insistiu o director.

Usar tranquilizantes para deter o gorila não era uma opção. Segundo a instituição, uma flechada poderia ter assustado o animal, que já estava agitado, fazendo-o agir agressivamente antes de o sedativo fazer efeito.

– Críticas à acção –

Embora tenha reconhecido, em geral, que a equipe de resposta contra riscos de animais tinha poucas opções para lidar com o incidente, a população criticou o zoológico e os pais da criança.

“O cativeiro deveria estar cercado por uma segunda barreira para prevenir isso”, afirmou no Twitter a ONG de direitos dos animais People for the Ethical Treatment of Animals (Peta).

Tragédias como essa são “o motivo de a Peta urgir às famílias que fiquem longe de qualquer estabelecimento que exibe animais como espectáculos para os humanos”, declarou a organização.

Maynard disse que a barreira cumpre todas as normas da indústria, mas garantiu que o zoológico revisará seus cativeiros.

A família do menino, cujo nome não foi divulgado, expressou sua “profunda gratidão” ao zoológico, segundo declaração enviada à imprensa americana.

“Sabemos que essa foi uma decisão muito difícil para eles, e que eles estão de luto pela perda do seu gorila”, de acordo com a nota.

Apesar das declarações, defensores dos animais manifestaram sua indignação com o fato de a criança ter invadido o cativeiro do gorila.

Na tarde desta segunda-feira, pelo menos 15 petições públicas haviam sido criadas na plataforma on-line change.org, demandando justiça em relação ao assassinato do animal.

Uma delas, que pede que o zoológico processe os pais do menino por negligência, acumulava mais de 223.000 assinaturas.

A mãe do menino “não deu a supervisão adequada. Como resultado, seu filho caiu na jaula de um gorila no zoológico de Cincinnati, resultando na eutanásia de uma criatura inocente”, denunciou um dos peticionários.

Outros críticos pediram a construção de um memorial para Harambe e que a população boicote o zoológico.

Em 21 de maio, um suicida entrou em um cativeiro de leões em um zoológico de Santiago do Chile, e os funcionários do local atiram e mataram dois dos animais para salvar o homem.

Os gorilas das planícies ocidentais são uma espécie ameaçada, e o zoológico de Cincinnati pretendia usar Harambe para reprodução.

As populações de gorilas vêm diminuindo em todo o mundo, devido à destruição de seu habitat natural. Actualmente, restam menos de 175.000 exemplares nas florestas. (AFP)

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