Dilma Rousseff fala sobre ‘golpe sem armas’ que polariza Brasil (exclusivo vídeo da entrevista)

(AFP 2016/ EVARISTO SA / AFP)

A presidente Dilma Rousseff, temporariamente afastada do poder, apresentou a sua visão do processo de impeachment, que qualificou de “golpe sem armas” no Brasil, exclusivamente para o canal RT nesta quarta (18).

Em sua primeira entrevista desde o dia 12 de maio, quando o Senado do Brasil iniciou o processo de impeachment contra a presidente afastada, Dilma Rousseff negou todas as acusações contra ela e declarou que vai usar “todos os instrumentos” para exercer o mandato dela “até ao fim”.

Confira a íntegra dos comentários da presidente.

Por que é um “golpe sem armas”?

Dilma Rousseff que ela foi julgada por algo que nunca antes foi considerado como um crime e que fizeram todos os presidentes anteriores no Brasil, por isso ela acredita que é um “golpe sem armas”. “Me julgaram por uma questão pública, por questão de falta de confiança, por algo que todos os presidentes antes de mim fizeram. Nunca era um crime e agora não vai se tornar um crime, quando não tinha nenhuma prova para estabelecê-lo como tal”, afirmou ela. “O Brasil é um regime presidencial”, lembrou Rousseff, e, portanto, “não se pode afastar o chefe de Estado e do governo sem que seja cometido um crime”. Assim, ela conclui, “é um golpe porque a Constituição estabelece explicitamente que é necessário que houvesse um crime de responsabilidade para fazer isso”.

“Acreditamos que o que está acontecendo no Brasil é uma tentativa de substituir uma presidente totalmente inocente, que não está ligada a nenhum caso de corrupção, para que o programa que perdeu as eleições brasileiras em 2014, possa, sem passar pelas urnas, chegar ao poder no estado brasileiro”, disse Rousseff. Segundo a presidente, “é um programa que quer minimizar os nossos programas sociais” e “acabar com estes direitos”, que vai exercer uma “política antinacional no que se refere, por exemplo, aos recursos petrolíferos do país”.

Quem fica atrais do “golpe”?

Para a presidente do Brasil, o “golpe de Estado” foi organizado dentro no país, sem qualquer interferência externa, embora tenha certas forças no exterior que beneficiam desta decisão. “É um verdadeiro golpe sem armas”, disse Rousseff. “Este processo está organizado por brasileiros e realizado por meio das forças brasileiras com interesses claramente internos. Não tem como culpar qualquer força externa no que está acontecendo no Brasil”, admitiu ela.

Quando foi perguntada sobre a possível ligação do presidente interino Michel Temer com a embaixada dos EUA no Brasil, como foi divulgado pelo site Wikileaks, Dilma Rousseff respondeu que “não vai conversar este questão com representantes de outros países, porque não é correto”, mas reitera que não considera a interferência externa como a causa da crise política no Brasil.

Qual é o papel de Eduardo Cunha no “impeachment”?

A presidente brasileira afastada afirmou que “a partir de um momento foi muito claro que Michel Temer pretendeu de usurpar o poder presidencial, mas “sozinho não poderia fazê-lo e decidiu unir-se com o ex-presidente da câmara dos deputados (Eduardo Cunha), que segurou a parte do Congresso em suas mãos e que lhe permitiu iniciar o processo de “impeachment”, disse Rousseff.

Qual é o papel dos meios de comunicação

Referindo-se a mídia brasileira, Dilma acredita que a sua atitude “é muito crítico e muito prevenido”. “Existe uma grande diferença entre o que diz que a imprensa nacional e o que diz a imprensa local no Brasil”, assegurou ela. “A imprensa local era muita discreta, quando se tratava de meu governo, o meu partido, partidos aliados e do governo interino. Mas de repente, o governo interino, apesar de várias desacordos, começou ser tratado com grande condescendência, desapareceu toda a crítica desse governo”, acrescentou ela.

A presidente brasileira lembrou que o Brasil sempre insistiu na democratização dos meios de comunicação: “Nós não queremos um oligopólio dos meios de comunicação, concentrados nas mãos de poucas famílias, que os se transformam em um elemento da desestabilização do processo democrático brasileiro, mas estamos vendo isso acontecer”.

Sobre os Jogos Olímpicos

Dilma Rousseff prometeu lutar devolver à posse de presidente e cumprimentar os Jogos Olímpicos como o chefe de Estado.

“Eu quero dizer uma coisa: eu vou lutar cada minuto de cada dia, a cada momento da minha vida para fazer isso acontecer [o retorno à presidência]. Eu tenho certeza que a maioria da população brasileira me apoia”, afirmou Dilma Rousseff.

De acordo com a presidente afastada, que ela tinha feito muito para que os Jogos Olímpicos no Brasil forem realizados em agosto de 2016 no Rio de Janeiro.

“No início, eu ganhei os Jogos [Olímpicos] para o Brasil, quando nós conseguimos a possibilidade de organizar o evento no país. Naquela época eu estava no governo do presidente Lula e assinei o ato. Depois, quando fui eleita presidente, o nosso governo realizou o projeto dos Jogos Olímpicos”, disse Dilma Rousseff. (SPUTNIK)

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