Criações carecem de apoio para a realização de obras

Inventores e criadores angolanos reclamam por apoio para a materialização dos projectos que exibem nas feiras. (Foto: D.R.)

O Ministério da Ciência e Tecnologia tem cadastrado mais de 180 inventores/criadores angolanos que todos os anos arrebatam medalhas em feiras estrangeiras e granjeam prestígio internacional.

As invenções criadas em Angola já mereceram 40 medalhas em várias feirias internacionais, além do reconhecimento do criadores de outros países. Contam-se igualmente dezenas de patentes registadas no Instituto Angolano de Propriedade Intelectual (IAPI).

Destes números, apenas uma criação chegou ao mercado para ser comercializada. Dos esforços empreendidos pelos inventores com acompanhamento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MINCT) e dos parceiros no desenvolvimento de protótipos, que em eventos similares já ombreiam com os dos chamados países do primeiro mundo, resultam várias invenções que ainda não chegam à indústria local.

“A diversificação de economia angolana terá como uma das bases os laboratórios das universidades e dos centros de pesquisas e inovação”, refere o director do Centro Tecnológico Nacional (CTN), Gabriel Luís Miguel. Mas a ligação entre inventores e as empresas ainda tarda a chegar.

(Foto: D.R.)
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O Ministério da Ciência e Tecnologia tem cadastrados 180 inventores/criadores angolanos, sendo 148 do sexo masculino e 32 do sexo feminino, 60 por cento frequentam o ensino médio, 20 o superior e igual percentagem o nível básico, mas nenhum destes se pode gabar de ver uma criação como um produto comercial.

“Há dificuldades da parte dos empresários em detectar oportunidade nas invenções”, resume o presidente da Associação Angolana de Inventores e Inovadores (AAII), Bitombokele Lunguani, revelando que lá fora há uma procura por invenções que podem ser financiadas e, infelizmente, nós ainda não temos esta cultura. Enquanto isto, o jurista especialista em propriedade inteclectual, Barros Licença, refere que Angola teria muito a ganhar com as invenções já patenteadas, mas alerta para o longo processo.

“O registo da propriedade industrial é apenas um dos actos na gestão da propriedade intelectual por parte de quem o detém. É preciso fazer a gestão para melhor tirar vantagens e ter o retorno do investimento realizado. O sistema de propriedade intelectual foi instituído para garantir a recompensa do criador, como incentivo à criatividade e à inovação.

São essas actividades que dão sustentabilidade ao desenvolvimento social e económico, por via do desenvolvimento da ciência e da tecnologia”, refere ao JE o antigo director do Instituo Angolano de Propriedade Industrial.

Barros Licença, que criou o Centro de Ensino da Propriedade Intelectual e de Gestão da Qualidade (CEPIGESQ) no ano passado, revela que existem perto de três mil depósitos de pedidos de patenteamento, a maioria dos quais estrangeira. “Mas isto não significa que tenhamos em vista o mesmo número de patentes”, esclarece.

O jurista explica ainda que a protecção de uma patente, ou de uma propriedade intelectual, de forma geral, visa conferir exclusividade na exploração económica do conhecimento. “Esta proteção tem prazo.

Isto é, além do prazo geral de proteção, que no nosso caso é de 20 anos, se o detentor do direito de propriedade industrial não fizer a sua exploração no prazo de quatro anos, a partir da sua concessão, a protecção é retirada”, avança o especialista, mostrando assim que muitas invenções protegidas legalmente ficam sem efeito por não chegarem a ser industrializadas ou aproveitadas.

MCT toma dianteira

Enquanto as empresas tardam a unir-se aos inventores, o Centro Tecnológico Nacional, dirigido por Gabriel Luís Miguel, toma dianteira. O responsável daquele órgão, afecto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, acompanha todos os anos a equipa que se desloca à Feira de Ideias, Inovações e Novos Produtos (IENA), em Nuremberg, Alemanha, onde regressam sempre com medalhas.

Assim, a instituição está a desenvolver dois projectos ligados aos recursos hídricos e à cultura de tecidos de cogumelos, com vista a mitigar a fome e a pobreza no país.

De acordo com o director-geral do CTN, Gabriel Luís Miguel, estes projectos foram apresentados nos programas “Café com ciência e tecnologia”, certame que concorre para ser canalizador da criação da “sociedade do conhecimento”, plasmado na política

Criações carecem de apoio para a realização de obras

O Ministério da Ciência e Tecnologia tem cadastrado mais de 180 inventores/criadores angolanos que todos os anos arrebatam medalhas em feiras estrangeiras e granjeam prestígio internacional nacional de ciência, tecnologia e inovação de Angola.

Segundo o responsável, dos “cafés” realizados, já saíram muitas soluções tecnológicas e de aplicação prática que têm a ver com as técnicas a utilizar para identificação de elementos, para permitirem equacionar os problemas sociais.

“Isto é possível ser equacionado. Os cafés com ciência e tecnologia garantem estes subsídios e nesta altura estamos a trabalhar na formulação de dois projectos que vão ser submetidos a financiamentos internos e externos, em casos concretos relacionados com temáticas abordadas nestes debates”, disse.

O primeiro, disse, está relacionado com técnicas isotópicas para a gestão de recursos hídricos e identificação de águas subterrâneas com recurso a elementos concretos identificados durante os cafés com ciência e tecnologias.

O outro projecto, acrescentou, está relacionado com a segurança alimentar e nutricional, ligado à cultura de tecidos de cogumelos, identificados nestes mesmos certames, com resultados preliminares a serem apresentados no café do próximo mês de Agosto.

Para o director, em termos de avanços dos projectos, o de recursos hídricos está com estudos em fase preliminares e nesta altura os trabalhos estão a ser realizados no eixo entre os rios Kwanza e Longa, com os primeiros resultados previstos para o final do mês de Junho.

O segundo, já está muito desenvolvido com campanhas de campo em mais de quatro províncias e nesta altura decorrem os trabalhos de validação de algumas informações colhidas em território nacional.

Para o efeito, uma equipa de técnicos angolanos esteve na Namíbia, onde especialistas namibianos estão a desenvolver técnicas e tecnologias ligadas à cultura de cogumelos. (jornaldeeconomia)

Por: Gaspar Micolo

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