Conheça os salários milionários dos gestores portugueses

A liderar a lista dos gestores mais bem pagos está António Mexia, presidente da EDP, com 1,8 milhões de euros, um aumento de 58% face ao ano anterior. (Foto: Alexandre Paulo Coelho)

Há CEO de empresas a ganharem 90 vezes mais do que a média dos trabalhadores. Descubra aqui os salários “dourados”.

Um estudo da Deco Proteste chegou à conclusão que há uma enorme disparidade entre os vencimentos dos trabalhadores e dos gestores.

Por exemplo, no caso da Jerónimo Martins, o presidente da Comissão Executiva (CEO) Pedro Soares dos Santos, arrecadou no ano passado 865 660 euros de remuneração total, ao passo que os 87 404 colaboradores do grupo receberam em média 9589 euros, uma disparidade superior a 90 vezes.

Já os dois CEO que a Galp Energia teve no ano passado, Manuel Ferreira de Oliveira e Carlos Gomes da Silva (seu substituto desde abril de 2015) receberam um total de 2 556 186 euros, ao passo que a remuneração média dos trabalhadores da petrolífera foi de 35 482 euros. Ou seja, receberam 72 vezes mais do que o salário médio da empresa que, neste caso, nem é baixo (o oitavo mais alto entre as 26 empresas portuguesas analisadas).

Estas são as duas empresas nacionais em que a disparidade salarial entre quem ganhou mais e a média dos trabalhadores foi mais elevada em 2015. Contudo, há 10 empresas em que esse rácio foi superior a 30 vezes. Além da Jerónimo Martins e da Galp Energia, foram os casos da Sonae, da Semapa, da Ibersol, dos CTT, da EDP, da Mota-Engil, da Portucel e da NOS. Em média, os presidentes da Comissão Executiva das empresas nacionais ganharam 23,5 vezes mais do que a média dos trabalhadores das respetivas empresas.

Rácio aumentou em 2015

decoprotesteDEFeita uma comparação com 2014, verifica-se que, em vez de diminuir, a disparidade entre a remuneração dos CEO e a média dos trabalhadores aumentou em 2015. Em termos globais, a remuneração dos CEO das empresas analisadas subiu 14,2% face a 2014, ao passo que as remunerações médias dos trabalhadores cresceram apenas 3,6%. Isto levou a que o rácio passasse de 21,3 vezes em 2014 para 23,5 vezes em 2015.

As empresas em que houve um maior agravamento deste rácio foram a Galp (passou de 44,2 para 72), os CTT (de 21,8 para 45,3), a Jerónimo Martins (de 72,7 para 90,3) e a
EDP (de 27,9 para 44,9). E, em todos estes casos, além de já terem um rácio superior à média, o agravamento deveu-se quase exclusivamente a um significativo aumento do salário recebido pelo presidente executivo de um ano para o outro: 67,3% no caso da Galp; 109,7% nos CTT; 29,5% na Jerónimo Martins e 58,2% na EDP. E, no caso da Galp, o valor criado para os acionistas nos últimos cinco anos até foi negativo, sendo mais uma razão para que houvesse maior contenção salarial na cúpula da petrolífera. (diarioeconomico)

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