Catarina Martins e a “geringonça”: “Cá estamos para esticar a corda”

(TIAGO PETINGA/LUSA)

O termo “geringonça” já não faz mossa no Bloco de Esquerda. Catarina Martins assume-o, veste a camisola, mas deixa um aviso a António Costa: “No Bloco de Esquerda não cedemos. Queremos mais”.

“Geringonça, a máquina complexa com muitos parafusos que funciona. E que vai funcionado.” A descrição é da própria coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que, no encerramento do primeiro dia das jornadas parlamentares do Bloco de Esquerda, aproveitou para fazer o balanço dos primeiros seis meses da atual maioria parlamentar. Balanço positivo, reconheceu a dirigente bloquista, mas com muito caminho por percorrer. “Estamos aqui para a esticar a corda que mantém uma maioria que recupera rendimentos.” Ou seja, a mensagem é simples: o Bloco quer mais e vai exigir mais do Governo socialista.

Esta parece ser a mensagem que o Bloco vai ensaiar até à próxima convenção do partido, a 25 e 26 de junho. Os bloquistas estão dispostos a apoiar o Executivo de António Costa, mas os socialistas têm de ir mais longe na reposição dos direitos e rendimentos dos portugueses. “Tantas vezes ouvimos que a exigência do Bloco de Esquerda pode ser um qualquer perigo para o país. A exigência do Bloco de Esquerda é o que torna possível uma maioria para a recuperação de rendimentos”, atirou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

E se o termo “geringonça” parece já não fazer mossa no Bloco de Esquerda, Catarina Martins fez questão de assumir a responsabilidade do partido na manutenção da estabilidade da aliança de esquerda. “Se o Bloco de Esquerda não tivesse sido exigente, o acordo parlamentar não teria existido. A nossa exigência é o cimento da maioria.”

Sem poupar a direita, que acusou de estar “amarrada à bancarrota porque sem bancarrota a direita não existe”, a porta-voz do Bloco não deixou de dar uma alfinetada aos socialistas. Não fosse o papel do Bloco na construção da atual maioria, diz Catarina Martins, e o país estaria condenado à “austeridade” de PSD e CDS ou à “austeridade soft” do PS.

Com o Bloco de Esquerda no centro das decisões políticas, afirmou a dirigente bloquista, o caminho tem sentido único: “No Bloco de Esquerda não cedemos. Queremos mais”. Dar emprego a quem não tem, aumentar as pensões mais baixas, garantir condições de trabalho e níveis salariais dignos, proteger e reforçar o ensino público e Serviço Nacional de Saúde, investir na cultura e na ciência, foi enumerando Catarina Martins: “[Queremos desenhar] um futuro para o país”. (OBSERVADOR)

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