Câncio: Não sabia que Sócrates vivia de empréstimos do amigo

(João Miguel Rodrigues)

“Se fizesse ideia da relação pecuniária entre Santos Silva e Sócrates teria feito perguntas”, escreve a jornalista e antiga namorada de José Sócrates.

Fernanda Câncio, jornalista do Diário de Notícias e antiga namorada de José Sócrates (à direita na foto), escreve um longo texto na revista Visão no qual confirma que o ex-primeiro-ministro levava um estilo de vida luxuoso, mas que nunca desconfiou da origem do dinheiro porque este provinha de uma família que vivia com “desafogo” e lhe havia dito que, depois de sair do governo, recebia uma avença mensal de 25 mil euros.

Foi por isso que recebeu com “choque” a detenção de José Sócrates e Carlos Santos Silva. “Se fizesse ideia da relação pecuniária entre Santos Silva e Sócrates teria feito perguntas por considerar a situação, no mínimo, eticamente reprovável”, escreve Câncio, num texto em que tenta responder a notícias que a envolvem no processo Operação Marquês.

A jornalista diz que nunca desconfiou da origem do dinheiro nem questionou quem pagava “porque quando alguém próximo faz um convite para passar férias não é costume perguntar se é a pessoa que nos convida que paga ou se é outra, como quando nos convidam para jantar ou almoçar não perguntamos de onde vem o dinheiro”.

Sobre a possibilidade de querer comprar um apartamento com José Sócrates no Chiado num valor superior a dois milhões de euros – intenção que é revelada nas escutas de conversas entre ambos reveladas pelo Correio da Manhã – a jornalista refere que “liguei a perguntar, por curiosidade, quando o edifício foi renovado e os andares ficaram à venda; mas, ao contrário do que se quer fazer, nunca sequer o visitei”.

Quanto ao apartamento de Paris usado por Sócrates, Fernanda Câncio diz que foi através da revista Sábado que soube ser Carlos Santos Silva o proprietário. “Até então, estava convicta que tal apartamento, que nunca vi e que pensava ser o segundo no qual José Sócrates tinha vivido naquela cidade, tinha sido arrendado a proprietários franceses”. (Jornal de Negocios)

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