BCE pergunta pelas “implicações orçamentais” das 35 horas

(Bloomberg)

Em entrevista ao Público, o membro do conselho executivo, Peter Praet, lembra a “fragilidade” em que Portugal ainda se encontra e que “o que interesse nos bancos é que sejam bem geridos, não que sejam detidos por nacionais”.

“Quais são as implicações orçamentais, por exemplo, se se voltar para a semana de 35 horas?”. A pergunta é feita por Peter Praet, membro do conselho executivo do BCE (na foto), para demonstrar que “este ainda é um período em que existem pontos de interrogação” sobre a estratégia que está a ser seguida pelo governo português e que inclui “algumas reformas que foram revertidas”.

Em entrevista ao Público publicada esta segunda-feira, 23 de Maio, o belga que lidera o departamento que prepara as recomendações para as decisões de política monetária sustenta que “os mercados estrão preocupados, mas não excessivamente, o que significa que ainda existe o benefício da dúvida”. Mas lamenta que haja “uma série de coisas que não estão ainda claras” sobre o Orçamento do Estado para 2016 ou sobre a estimativa de crescimento do PIB nominal, que lhe “parece ser elevado”.

“Há uma declaração política de continuidade e de intenção de seguir as regras europeias – isso é positivo –, mas há algumas dúvidas acerca dos detalhes e sobre os pressupostos macroeconómicos. Portanto, isto é algo que estamos a seguir e eu penso que o Governo está bem ciente da fragilidade da situação”, resumiu Peter Praet.

Questionado sobre se o facto de a união bancária não estar terminada não conduz a que os bancos pequenos de países pequenos sejam comprados pelos bancos grandes dos países grandes, respondeu que tem “sempre dificuldades em perceber porque é que isso seria um problema”, dando o exemplo do belga Fortis, que agora está sob o controlo do BNP, o que tem sido “absolutamente instrumental para evitar uma catástrofe”.

Considerando “absolutamente vital que se evolua em direcção a bancos pan-europeus, bancos que estejam geograficamente diversificados e que tenham uma garantia de toda a união monetária como um todo”, Peter Praet acrescentou que “o que interesse nos bancos é que sejam bem geridos, não que sejam detidos por nacionais”.

“Pode sempre haver bancos locais, não é esse o problema, mas ter todo o sistema bancário exposto a uma economia local na união monetária como a nossa é uma combinação perigosa”, resumiu o responsável do BCE, para quem “um dos principais factores pelos quais as taxas de juro portuguesas desceram nos últimos três anos foi porque o país cumpriu o seu programa”. (Jornal de Negocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA