Balança de pagamentos apura saldo de 4.4 milhões

O período em análise foi caracterizado pela redução dos activos externos líquidos nomeadamente pela perda de reservas internacionais do país. (Foto: D.R.)

O valor expresso em dólares norte-americanos foi registado durante o exercício económico de 2014 e teve forte influência na queda do preço do barril do petróleo no mercado mundial iniciada em 2009.

A balança de pagamentos angolana registou no ano de 2014 saldo global deficitário de 4.417,2 milhões de dólares, contra um superávite de 84,2 milhões de dólares do período anterior, devido ao choque petrolífero no mercado internacional.

Segundo o relatório do Banco Nacional de Angola (BNA), o referido choque teve maior reflexo na conta corrente.

O período em análise foi caracterizado pela redução dos activos externos líquidos, nomeadamente, pela perda de reservas internacionais, para financiar o défice da balança de pagamentos.

À semelhança do ocorrido no ano de 2009, período em que a economia mundial foi assolada por uma crise económica e financeira, o documento sublinha que, no exercício económico de 2014, a conta corrente registou um saldo deficitário na ordem de 3.722,4 milhões de dólares, representando uma redução de cerca de 144,6 por cento, comparativamente ao ano anterior, enquanto o rácio da conta corrente sobre o produto interno bruto (PIB) sofreu também uma redução considerável em relação ao ano de 2013, ao passar de 6,7 para (-) 2,9 por cento.

Ao contrário dos períodos anteriores, o relatório assegura que o saldo superavitário da conta de bens não foi suficiente para contrapor os persistentes défices registados nas contas de serviços, rendimentos primários e secundários.

Assim, o comércio internacional de mercadorias entre Angola e o resto do mundo em 2014 mostrou-se favorável para o país mas com uma certa deterioração, devido ao aumento das despesas de importação e redução das receitas de exportação em relação ao ano anterior.

Em virtude do comportamento das exportações e das importações, o saldo da conta de bens registou uma diminuição, passando de 41.902,6 milhões de dólares em 2013 para 30.583,1 milhões em 2014.

Exportações

O petróleo bruto continua a dominar a estrutura das exportações do país. Por essa razão, a redução das exportações deve-se à queda do preço médio do petróleo bruto e do seu volume de exportação. O preço médio das ramas angolanas passou de 107,7 dólares por barril em 2013 para 96,0 dólares em 2014, ao passo que o volume de exportações de petróleo passou de 609,3 milhões para 586,9 milhões de barris, respectivamente.

O petróleo bruto e os refinados de petróleo foram os únicos produtos que registaram reduções de receitas de exportação.

As receitas de exportação de petróleo bruto cifraram-se em 56.363,9 milhões de dólares contra 65.611,2 milhões do ano anterior. Por outro lado, as receitas resultantes da exportação de gás, diamantes, café e outros produtos aumentaram em relação ao ano de 2013.

O efeito preço (73,9 por cento) foi o principal determinante para obtenção dessas receitas com exportação de petróleo, tendo superado o efeito quantidade (23,3 por cento).

Pela oitava vez consecutiva, a China manteve-se como o principal país importador do petróleo bruto angolano, com uma quota de cerca de 48,5 por cento, seguida pela Índia e a Espanha com 8,3 e 6,2 por cento, respectivamente.

A seguir ao petróleo bruto, o diamante continuou a ser o produto com maior peso nas exportações do país, tendo registado no período em análise um aumento tanto do volume exportado de 624,0 mil quilates, como do preço médio por quilate, que passou de 141,5 para 150,5 dólares/ quilate, o que resultou no aumento em 14,4 por cento das suas receitas de exportação.

Dentre os principais países de destino dos diamantes extraídos em Angola, os Emiratos Árabes Unidos, continuaram na liderança, ao importar cerca de 74,1 por cento do valor total exportado em 2014, contra 68,9 de 2013.

Ainda em relação aos principais países importadores dos diamantes angolanos, realça-se a posição da Suíça que em 2014 importou cerca de 18,8 por cento do valor total.

Importações

A oferta externa de bens com vista a satisfação das necessidades internas de consumo e investimento atingiu 28.586,8 milhões de dólares em 2014, o que representa um crescimento na ordem de 8,5 por cento comparativamente a 2013. Desde o ano de 2010, as importações angolanas têm apresentado uma tendência de crescimento.

As categorias de bens que determinaram o aumento das importações foram essencialmente os combustíveis minerais, as máquinas e instrumentos mecânicos, os bens alimentares, os veículos automóveis, os materiais de construção e as máquinas aparelhos e materiais eléctricos, tendo as despesas com importação dos mesmos, representando cerca de 75,8 por cento do valor total das importações de 2014.

3,7 MILHÕES DE KWANZAS

Foi o saldo que a conta corrente registou no período de 2014, representando uma redução de cerca de 144,6 por cento, comparativamente ao ano anterior.

41.9 MILHÕES DE KWANZAS

É o valor contabilizado pela conta de bens e serviços, registando uma diminuição. Ou seja, passou de 41.9 milhões em 2013 para 30.5 milhões em 2014.

28.5 MILHÕES DE KWANZAS

Foi a oferta externa de bens com vista à satisfação das necessidades internas de consumo e investimento, que representaram um crescimento de 8,5 por cento. (jornaldeeconomia)

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