Aumenta rapto de albinos no centro de Moçambique

(DW)

Ativistas dos direitos humanos exigem mais seriedade das autoridades governamentais moçambicanas no combate ao rapto e ao tráfico de albinos, cada vez mais frequentes na Zambézia. Polícia assegura que “não está parada”.

Os raptos de albinos estão a aumentar na província da Zambézia em termos homólogos. Segundo a polícia, nos primeiros quatro meses de 2015 não houve raptos de albinos, mas este ano já foram registados pelo menos cinco casos.

O porta-voz do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) na Zambézia, Jacinto Félix, garante à DW África que a corporação agiu prontamente e já accionou medidas de segurança.

“A polícia não está parada”, afirma, explicando que polícias no comando geral foram capacitados só para tratar de casos de albinismo. “A polícia está a formar polícias capazes para enfrentar este novo fenómeno”.

Jacinto Félix não disse quantos raptos de albinos foram registados no ano passado, mas precisou que os casos ocorrem sobretudo nas regiões que fazem fronteira com o Malawi, “por causa de hábitos e costumes. “As populações acreditam muito nas tradições” e cometem esse tipo de crimes “para satisfazer algumas práticas tradicionais”, explica.

Mais medidas das autoridades

A ativista dos direitos humanos Cândida Luís Quintano pede ao Governo para combater com mais seriedade os raptos e o tráfico de seres humanos. Segundo a ativista, são poucas as medidas de vigilância numa província tão vasta como a Zambézia.

“Estamos a entrar na onda de um problema que advém já dos Grandes Lagos e agora os países da África subsaariana começam a ressentir-se”, afirma, defendendo que “é necessário que se cerrem mais as fronteiras” e que as populações e as comunidades falem sobre o assunto, de modo a reduzir o fenómeno.

Cândida Quintano também lamenta que os recursos do país não estejam a ser usados para precaver situações de tráfico humano. A ativista defende ainda que Moçambique deve estabelecer uma ligação com outros países que também sofrem com o problema, como é o caso da Tanzânia. “É preciso perceber qual é a causa do problema e trabalhar sobre a mesma – tudo de uma forma integrada”, sublinha. (DW)

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