“As conquistas da CPLP estão aquém do seu potencial”

Murade Murargy, secretário-executivo da CPLP (DW)

Durante um evento para discutir a importância da língua portuguesa na Alemanha, o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, salientou que o português deve afirmar-se como uma língua de negócios.

Foi na Embaixada do Brasil em Berlim que se assinalaram os 20 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ao mesmo tempo que se discutia a importância da língua portuguesa na Alemanha.

Durante a tarde de quarta-feira (11.05), a alemão misturou-se com o português enquanto se discutiam também novas estratégias para o sucesso da língua portuguesa no estrangeiro.

Murade Murargy, secretário-executivo da CPLP, marcou presença e deixou claro que é importante promover a língua portuguesa como uma língua de negócios, de modo a quebrar barreiras nos diversos mercados pois “as conquistas da CPLP estão aquém do seu potencial”.

O moçambicano Murargy, realçou que é importante “afirmar o português como língua de produção científica, língua de inovação e de comunicação digital, bem como língua de negócios” de forma a explorar as vantagens da “proximidade linguística” no comércio externo, no investimento direto estrangeiro, na circulação de pessoas e prestação de serviços.

O que vai acontecer com o Novo Acordo Ortográfico?

Como não podia deixar de ser, o Novo Acordo Ortográfico foi um tema debatido. Neste momento já está em vigor em Portugal, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor-Leste e no Brasil, onde entrou em vigor a um de janeiro de 2016.

A visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Moçambique, na semana passada, voltou a colocar o assunto no centro das atenções. O Presidente português disse que caso o novo acordo não seja ratificado em Moçambique e Angola, este poderá ser o momento certo para uma reavaliação.

Apesar de ainda não ter sido promulgado no país, o embaixador de Angola em Berlim, Alberto Correia Neto, revela que a implementação do Acordo poderá ser uma forma de unir cada vez mais a comunidade lusófona: “o português que se fala em Angola é percetível por todos os que falam português, mas há variações que fazem com que alguns aspetos devam ser introduzidos”.

Por sua vez, Murargy realça que a implementação do Novo Acordo tem muitas outras implicações e diz que “o documento não pode ser aplicado só porque sim”. O secretário-executivo revela que “tanto em Moçambique como em Angola, o processo está em curso. Esse Acordo Ortográfico tem muitas implicações, nomedamente em termos de revisão de materiais escolares e portanto, muita coisa que implica recursos financeiros”.

Desta forma, Murade Murargy considera que para o Novo Acordo ser aplicado, os países têm de estar preparados, em termos de recursos, “para mudar quase tudo, e isso leva o seu tempo”.

Guiné Equatorial na CPLP

O secretário-executivo da CPLP frisou que o desenvolvimento dos Estados- membro da CPLP e a consolidação das suas democracias durante os últimos 20 anos estão a acontecer de forma gradual.

Após 2 anos da controversa adesão da Guiné Equatorial à CPLP, Murargy faz uma balanço positivo e revela que a organização lusófona deve apoiar o país. “A Guiné Equatorial, neste momento, está a fazer um grande esforço para ajustar a sua maneira de ser e as suas normas, às normas que estão em vigor na CPLP”, garante.

Relativamente às eleições nas quais Teodoro Obiang voltou a ser eleito, o moçambicano considera que foi “um grande passo” para o país. “Vamos ver que nas próximas eleições vai melhorar”, afirmou.

No Brasil também se fala em eleições, e para breve, com a recente posição do Senado face à destuituição da Presidente Dilma Rousseff. Por isso mesmo, durante todo o evento, um grupo de cerca de 15 brasileiros manifestou-se à porta da Embaixada do Brasil, gritando palavras de ordem “por um Estado laico”, em apoio a Rousseff. (DW)

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