Arménia e Azerbeijão comprometem-se com cessar-fogo no Nagorno-Karabakh (vídeo)

(EURONEWS)

Os Presidentes da Arménia e do Azerbaijão comprometeram-se esta segunda-feira (16) em Viena a respeitar o cessar-fogo acordado em 1994 no território do Nagorno-Karabakh, disputado pelas duas antigas repúblicas soviéticas.

O encontro fica a dever-se aos esforços diplomáticos levados a cabo em conjunto pelos Estados Unidos, pela França e pela Rússia, em coordenação com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, a OSCE, com sede na capital austríaca.

Os Presidentes da Arménia e do Azerbaijão afirmaram estar “comprometidos com o cessar-fogo e com uma resolução pacífica” do conflito. Baku e Erevan fixaram também como meta um próximo encontro a ter lugar já no mês de junho para definir um quadro de negociações para pôr termo ao litígio, que dura há mais de duas décadas.

Os dois Estados euro-asiáticos do sul do Cáucaso acordaram ainda o desenvolvimento de um mecanismo de observação do cessar-fogo de 94, sob a égide da OSCE, assim como a criação de um grupo de trabalho que permita encontrar pessoas desaparecidas em ambos os lados do conflito ao longo dos anos.

Segundo a agência de notícias Estatal russa RIA Novosti (Rossiya Segodnya), o Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergueï Lavrov, disse ter razões para crer que os negociadores de ambos os lados procurarão posições de compromisso.

“Procuraremos que tal aconteça de todas as formas possíveis”, continuou o chefe da diplomacia russa.

Este foi, de resto, o primeiro encontro entre Serzh Sargsyan, o Presidente Arménio, e o seu homólogo do Azerbaijão, Ilham Aliyev, desde o aumento das tensões entre os separatistas do Nagorno-Karabkh, apoiados pela Arménia, e pelas forças do Azerbaijão, no passado mês de abril.

O conflito no território Nargorno-Karabakh, internacionalmente reconhecido como parte do Azerbaijão, mas uma república de facto cuja autoridade é exercida pela maioria arménia, tem vindo a preocupar a Comunidade Internacional, pois a instabilidade naquela região poderia afetar a distribuição de gás e de petróleo nos grandes mercados internacionais.

Ambos antigos membros da União Soviética (1944-1991), a Arménia e o Azerbaijão lutaram pelo território do Nagorno-Karabakh nos anos noventa, num confronto que deixou mais de 30 mil mortos nos dois lados e milhares de refugiados. O Azerbaijão deixou de exercer qualquer autoridade sobre enclave em 1988, tendo, graças aos seus recursos energéticos, sido capaz de adquirir importantes arsenais de armas.

A Rússia vende armas aos dois países, apesar de ter assinado com a Arménia um tratado militar. Moscovo é um ator central no conflito, que, para alguns analistas, poderia vir a alastrar-se devido às tensões na região.

A Turquia, por seu lado, distante de Moscovo por diferendos na atuação perante o conflito na Síria, no Iraque e perante os jihadistas do autoproclamado Estado Islâmico (EI) ou Daesh (pela sigla em língua árabe), tem vindo a apoiar Baku, aliado histórico de Ancara. (EURONEWS)

por António Oliveira e Silva | com REUTERS, AFP, RIA NOVOSTI

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