Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca: Homens e máquinas dão o “litro” 24/24h

A montagem dos equipamentos na barragem de Laúca está a ser assegurada por milhares de trabalhadores entre angolanos e estrangeiros. (Foto: Contreiras Pipa)

No primeiro semestre do próximo ano está previsto a entrada em funcionamento no recinto de dois grupos geradores de 334 MW cada e a construção de uma central ecológica de 65,5 MW.

O movimento de homens e máquinas empenhados na execução das obras do aproveitamento hidroeléctrico de Laúca, que já consumiram pelo menos dois mil milhões de dólares norte-americanos, dos cinco mil milhões previstos, é uma realidade.

O director do projecto, Elias Estêvão, considera positivo o empenho das empresas envolvidas na empreitada, que asseguram o seu funcionamento 24/24h.

De acordo com o responsável da obra, trata-se de uma barragem de gravidade de 132 metros de betão compactado por cilindros.

No primeiro semestre de 2017, prevê-se a entrada em funcionamento de dois grupos geradores de 334 MW cada, totalizando 668.

“Está também prevista, a construção de uma central ecológica que terá uma potência de 65,5 MW”, anunciou.

Quanto aos prazos de execução das obras, o engenheiro esclareceu que as obras civis tiveram o seu início em Julho de 2013, sendo que o fornecimento dos equipamentos electromecânicos começou em Janeiro de 2014.

“O facto de as percentagens de avanço das obras serem diferentes não significa que haja atraso na sua execução”, garantiu.

Suporte à indústria

(Foto: Contreiras Pipa)
(Foto: Contreiras Pipa)

Na opinião de Elias Estêvão, a industrialização do país passa necessariamente pela disponibilidade de energia eléctrica.

Para ele, a energia obtida de fontes de geração hídrica é muito mais barata, se comparada com a geração térmica. Segundo argumentou, a energia hidroeléctrica vai permitir a redução dos custos de produção das indústrias.

Questionado sobre alguns constrangimentos técnicos, o gestor respondeu que a “fundação” de uma barragem envolve sempre alguma incerteza geológico-geotécnica, tendo revelado que, em cada caso, se estudam as situações concretas e definem-se as soluções mais adequadas, tal como o que está a se verificar na barragem de Laúca.

Avançou que, o enchimento da albufeira dependerá da conclusão da construção da barragem, porque as estruturas de controlo e regulação da albufeira estão encaixadas no corpo da barragem.

Sem estas estruturas “não será possível barrar a passagem das águas do rio, que permitem o enchimento da albufeira e a produção de energia”, disse.

Revelou igualmente que, tendo em conta a altitude da albufeira de Laúca, que prevê 180 quilómetros quadrados de área inundada, foram identificadas algumas aldeias que estão na zona de influência do reservatório.

Por essa razão, disse que serão reassentadas aproximadamente 400 famílias numa vila que está a ser construída.

Empresas dão o máximo

Além da Odebrecht, como empreiteira geral, foram contratadas a Somague Angola, Teixeira Duarte, Renasol, Ibergru, Coba e Lahmeyer como entidades fiscalizadoras do projecto nas vertentes civis e electromecânicas, assim como a firma Dar, para fiscalizar as linhas de transporte.

Segundo director-adjunto da fiscalização, ligado à empresa, José Castro, esta obra representa um desafio técnico muito interessante e impõe da parte fiscalizadora muita responsabilidade.

“Não é comum ver-se este tipo de obra na Europa, o que implica da nossa parte uma atenção detalhada, desde as escavações à montagem dos equipamentos e de tudo o que está a ser feito de modo a que os prazos sejam cumpridos conforme o previsto”, afirmou.

Em termos técnicos explicou que a fundação da obra foi devidamente tratada, limpa, cartografada pela geologia, recebeu a certificação da qualidade das rochas e permitiu dar a estrutura que se pretende.

Em entrevista ao JE, o fiscal realçou que a grande valia deste projecto é a inclusão da mão-de-obra jovem angolana, proveniente de todas as províncias do país.

Por seu turno, Isabel Agostinho contou à nossa reportagem que Laúca é uma escola e o país só tem a ganhar com a sua conclusão.

A engenheira cívil ligada ao Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEK) assegura que, mesmo sendo mulher, a adaptação aos trabalhos tem sido fácil.

“O maior constragimento tem sido deixar a família e ter de vir abraçar esta causa”, sublinhou.

Centro de formação

No projecto Laúca, está a ser erguido um centro de formação, que vai servir de suporte aos técnicos angolanos que irão assumir a manutenção da barragem e outras centrais eléctricas do país.

Por sua vez, o gerente de operações, Mateus Macedo, disse que o projecto terá quatro salas de aula, com capacidade para 30 formandos, quatro laboratórios, um simulador de operação que irá reproduzir o ambiente de controlo central de Laúca, um auditório para 106 pessoas, refeitório e uma biblioteca.

Na ocasião, o gestor salientou que a Odebrecht, em conjunto com o Gamek e a Prodel, está empenhada em encontrar os melhores modelos tecnológicos para responder às exigências do gigante empreendimento hidroeléctrico. (jornaldeeconomia)

Por: Xavier António

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