Apanhe mosquitos e não os mate, pede Instituto de Medicina Tropical

(Reuters)

Quando tiver vontade de matar aquele mosquito irritante, pegue antes num copo e apanhe-o, porque assim pode ajudar a prevenir a instalação de espécies como as que transmitem Zika e febre-amarela, que estão “às portas” de Portugal continental.

O apelo é do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), em Lisboa, que tem em vigor o programa de ciência cidadã Mosquito Web, através do qual qualquer pessoa pode apanhar um mosquito e enviá-lo gratuitamente para ser estudado no instituto.

O IHMT faz a vigilância das populações de mosquitos em Portugal, em colaboração com as autoridades de saúde, mas “dez milhões de cidadãos ativos superam largamente a eficiência de todos os entomologistas de Portugal”, pode ler-se na página do programa (http://mosquitoweb.ihmt.unl.pt/).

Se não o fizer apenas por curiosidade científica, pode fazê-lo para se proteger de doenças graves, como o Zika, febre-amarela ou as febres de Dengue e de Chikungunya, todas transmitidas por mosquitos.

É que Portugal continental é, há duas ou três décadas, um território de alto risco para a introdução de duas espécies invasoras de mosquitos transmissores desses vírus, disse em entrevista à Lusa a investigadora Carla Sousa, do IHMT.

Embora o programa Mosquito Web exista desde junho de 2014, a adesão tem ficado “muito aquém do que poderia ser”, disse a investigadora do IHMT.

Um programa semelhante foi lançado na Holanda e, ao fim de três semanas, o instituto responsável teve de parar todas as outras atividades para conseguir dar resposta aos exemplares enviados pela população, contou Carla Sousa.

Hoje, com o verão à porta e com ele uma nova época de mosquitos, a investigadora lança o desafio: “Participem no Mosquito Web porque o Aedes albopictus está a chegar à região de Sevilha”.

E porque é que é importante detetar cedo a presença destes mosquitos?

“O que sabemos é que se estas espécies forem detetadas precocemente – diz-se empiricamente antes de passar o primeiro inverno – há ainda uma boa probabilidade de se impedir a instalação da espécie. (…) Se tal não for feito atempadamente, é quase impossível erradicar a espécie de uma nova região”, explicou Carla Sousa.

O problema é que estes mosquitos estão muito bem adaptados ao ambiente humanizado: “Eles exploram-nos de todas as maneiras. Este mosquito consegue fazer todo o seu ciclo de vida sem sair da mesma habitação. Pode coabitar connosco e fazer todo o seu ciclo de vida sem sair para o exterior”, exemplificou a investigadora, referindo-se ao A. aegypti.

Por isso, a solução é ter sistemas de vigilância e atuar assim que é detetada uma nova espécie, aproveitando o período em que a população de mosquitos está suficientemente frágil para poder ser erradicada.

Para facilitar a participação da população nesta tarefa, o Instituto está a preparar, juntamente com a Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, uma aplicação para telemóveis.

Se tudo correr bem, no próximo verão poderá deixar o copo no armário e munir-se antes do telemóvel para fotografar o próximo mosquito irritante. (SIC)

por lusa

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