António Costa considera que a Europa tem sido “incapaz” de superar a crise económica

(Bruno Simão/Negócios)

O secretário-geral do PS alertou na sexta-feira que as causas da crise do euro, se não forem resolvidas, vão “minar” a capacidade de “corrigir assimetrias” na União Europeia, recordando a “incapacidade” europeia para superar a crise económica.

No discurso de apresentação da moção com que se recandidata à liderança do PS, “Cumprir Alternativa, Consolidar a Esperança”, sexta-feira à noite, em Braga, António Costa apontou a crise humanitária como uma das mais “graves” que a Europa atravessa porque vai “directa” aos valores europeus, alertando que a Europa não pode “trair” os pilares sobre que foi construída.

O também primeiro-ministro considerou que o “populismo” que cresce em muitos países é uma “ameaça efectiva” à democracia na Europa e que aos problemas europeus se deve responder com “mais Europa” e com o “reforço” da integração europeia.

“Graças ao Banco Central Europeu, a crise [na zona Euro] está mais atenuada mas a verdade é que as causas da crise do euro estão todas por resolver e se não forem resolvidas vão minar para sempre ou duradoiramente a capacidade de corrigirmos assimetrias, de termos de novo um clima de convergência e estabilidade duradoura na zona do Euro”, alertou António Costa.

Segundo o líder socialista, não se pode ignorar a “incapacidade que a Europa tem demonstrado de superar a crise económica”.

Neste contexto, António Costa apontou a “necessidade” de se encontrarem “novas respostas” para o projecto europeu que, considerou, “enfrenta múltiplas crises”. “A mais grave, porque vai directa aos valores da Europa, é a crise humanitária, com a situação e a incapacidade de respondermos de um modo solidário ao desafio de assegurarmos protecção daqueles que buscam protecção na Europa”, apontou.

Para o secretário-geral do PS, uma Europa que “fecha fronteiras é uma Europa que está a trair os seus valores”, que “nega” os valores nos quais foi construída. “Uma Europa que nega os seus valores não é a nossa Europa, porque a nossa Europa é aquela que assentou os seus valores na dignidade da pessoa humana e sobre o qual foi construído o projecto europeu”, disse.

Costa alertou ainda que a “acumulação” de crises tem “conduzido ao pior de soluções”, ou seja, a “países que discutem se devem prosseguir na União Europeia ou abandonar a União Europeia” e a “sucessivas eleições em diversos países em que o triunfo de partidos populistas e de extrema-direita que são hoje uma ameaça efectiva à democracia na Europa”.

António Costa apontou como resposta que a “família socialista” tem que dar, a capacidade de “reafirmar” os valores europeus e “assegurar uma mudança de orientação da política económica e a necessidade de reformas no quadro na União Europeia que permitam efectivamente consolidar a Europa, reforçar o projecto europeu e sobretudo recuperar o apoio dos europeus a este projecto”.

À crise europeia, defendeu, deve responder-se com “mais” Europa. “Somos daqueles que acreditamos que à crise europeia é necessário responder com um reforço da Europa e um reforço da integração europeia”, salientou. (Jornal de Negocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA