Angola reforça produção elétrica com aposta no gás natural

Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges (Foto: Lucas Neto)

O ministro da Energia e Águas de Angola anunciou que até 2025 mais de 20 por cento da energia elétrica produzida no país deverá resultar do aproveitamento do gás natural, através da instalação de centrais de ciclo combinado. O objetivo foi abordado durante uma conferência de imprensa realizada quinta-feira em Luanda, no âmbito de encontros regulares de membros do Governo com os jornalistas.

João Baptista Borges referiu que o plano de desenvolvimento do setor elétrico tem um investimento previsto de 29 mil milhões de dólares (25,4 milhões de euros).

Até 2025, a capacidade de produção instalada deverá aumentar até aos 9.000 MegaWatts (MW). O ministro angolano explicou que 62 por cento do volume de eletricidade a produzir será proveniente dos recursos hídricos, com a construção de várias barragens. Outra parcela será garantida pelo aproveitamento do gás natural, de 21% do total, o equivalente a uma capacidade instalada dentro de nove anos de quase 2.000 MW.

“O que se está a projetar é a construção de centrais de ciclo combinado ao longo do litoral do país, em Cabinda, Benguela e Namibe”, explicou o governante. Além destas, Angola já tem em construção, por empresas chinesas, a central de ciclo combinado do Soyo, na província do Zaire, com início da operação previsto para 2017 e uma produção inicial de 750 MW, para reforçar o abastecimento a Luanda e ao norte do país. Já este ano foi aprovado em conselho de ministros o projeto de reforço de potência desta central, elevando-a a 1.200 MW.

O ministro João Baptista Borges lembrou que depois da água, o gás é o segundo maior recurso natural disponível em Angola para a produção de eletricidade, sendo objetivo do Governo diversificar as fontes de energia, para que o país não fique “dependente de um único combustível primário”.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, com cerca de 1,7 milhões de barris de crude por dia, mas o gás natural resultante desta exploração continua a ser queimado ou injetado de novo nos poços.

A primeira fase destes investimentos no setor elétrico, sobretudo na construção de barragens e na central de ciclo combinado do Soyo, deverá concluir-se em 2017, segundo a expectativa do Governo, elevando a capacidade instalada a 5.000 MW.

Será cerca do dobro da produção atual, que representa um défice no fornecimento, tendo em conta as necessidades de consumo do país, obrigando ao recurso a milhares de geradores a gasóleo, com custos superiores. (EURONEWS)

por Francisco Marques | Com LUSA

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