Angola expectante com petróleo acima dos 50 dólares por barril

(Foto: D.R.)

O cenário de o barril passar a valer mais de 50 dólares no segundo semestre “poderá eventualmente mitigar temporariamente a situação em que nós nos encontramos”, admitiu na quinta-feira o ministro dos Petróleos angolano.

O ministro dos Petróleos de Angola, Botelho de Vasconcelos, assume que o barril de crude a 50 dólares no segundo semestre de 2016 poderá ajudar a ultrapassar alguns dos problemas financeiros que o país atravessa actualmente.

No Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano o Governo inscreve uma previsão de receitas com base na exportação do petróleo a 45 dólares por barril, cotação que até Abril se manteve à volta dos 30 dólares.

Como o próprio ministro admite, por situações “momentâneas”, como problemas no Canadá e na Nigéria, a oferta reduziu-se e ainda hoje o barril de Brent, para entrega em Julho, abriu em alta no mercado de futuros de Londres, a valer 49,14 dólares, mais 0,67% do que no fecho da sessão anterior.

“Poderá eventualmente mitigar temporariamente a situação em que nós nos encontramos”, admitiu na quinta-feira o ministro dos Petróleos angolano, à margem de uma reunião de trabalho em Luanda com uma delegação governamental do Botswana, comentando as previsões de especialistas, que apontam para o barril de crude a situar-se nos 50 dólares no segundo semestre deste ano.

“Seria extremamente importante que a situação pudesse ser mantida, no sentido de vermos o petróleo a subir a um nível satisfatório”, disse ainda Botelho de Vasconcelos.

A Lusa noticiou a 29 de Abril que Angola exportou mais de cinco mil milhões de dólares de petróleo nos primeiros três meses de 2016, menos 30 por cento face à previsão do OGE, afectando fortemente as receitas fiscais.

De acordo com dados do Ministério das Finanças compilados pela Lusa, Angola exportou nos três primeiros meses do ano 160.115.293 milhões de barris de crude, a um preço médio de 31,66 dólares, o que terá representado uma faturação global de 5.069 milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros).

Contudo, no OGE de 2016, o Governo angolano estimava a exportação de petróleo ao preço médio de 45 dólares por barril, o que representaria uma facturação global em três meses – com a produção em linha com o esperado – superior a 7.200 milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros).

A exportação de petróleo entre Janeiro e Março de 2016 representou assim receitas fiscais para o Estado angolano no valor de 260.499 milhões de kwanzas (1,38 mil milhões de euros), uma quebra de quase 25% face período homólogo.

É que nos três primeiros meses de 2015 essas mesmas receitas fiscais ascenderam a 344.172 milhões de kwanzas (1,85 mil milhões de euros), com a exportação de 157.252.976 barris de crude.

Angola vive desde meados de 2014 uma forte crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra das receitas da exportação de petróleo, recorrendo à emissão de dívida para garantir o funcionamento do Estado e a concretização de vários projectos públicos.

Revolução do petróleo de xisto nos Estados Unidos prejudicou Angola
Os Estados Unidos passaram de importador a produtor de combustíveis fósseis, o que tem provocado o cancelamento e colocado em risco a viabilidade de projectos de exploração em países lusófonos.

A revolução do petróleo e do gás de xisto nos Estados Unidos está a prejudicar a exploração do petróleo offshore (no mar) em Angola. Estas plataformas petrolíferas são dispendiosas e acarretam elevados custos, e num mundo com o barril de petróleo abaixo dos 70 dólares estes projectos estão sob pressão.

Esta foi uma das conclusões da mesa redonda sobre petróleo e geopolítica que teve lugar durante o VI Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) nesta terça-feira, 3 de Maio, em Lisboa. (jornaldenegocios)

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