André Moura é o novo líder do governo na Câmara dos Deputados

(DW)

Deputado do PSC aceita convite de Michel Temer para liderar base parlamentar na Casa. Investigado na Lava Jato e réu em três ações penais no STF, Moura nega acusações e diz ter a missão de “reunificar o país”.

O deputado André Moura (PSC-SE) foi confirmado nesta quarta-feira (18/05) líder do governo na Câmara dos Deputados. O parlamentar declarou que aceitou o convite do presidente interino Michel Temer, feito na noite desta terça-feira após reunião entre o líder e parlamentares.

“Fui chamado, conversei com o presidente Temer e tenho consciência da minha missão de ser o líder do governo que vai reunificar o país”, declarou o deputado, frisando o desejo de “trazer matérias que permitam que o país encontre o caminho do crescimento e da estabilidade econômica”.

Moura participou da reunião do Colégio de Líderes nesta quarta-feira e disse que serão colocadas em votação duas medidas provisórias até o fim do dia: a que define ações de combate ao mosquito transmissor do vírus zika; e a que trata da prorrogação de contratos de concessões do setor elétrico.

Ao convidar Moura para o posto, Temer cede à pressão do chamado centrão, bloco formado por 225 parlamentares de 13 partidos, e contraria a indicação do PSDB, DEM e PPS, legendas que apoiavam o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a liderança do governo.

Conhecido por ser um dos homens mais próximos do presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Moura negou que será influenciado pelo peemedebista: “Cunha não terá influência nenhuma na minha liderança. Sou líder do governo do presidente Michel Temer”.

Por outro lado, para o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), a escolha de Moura para a liderança do governo é “a confirmação de que Cunha continua mandando na Casa”.

Quem é André Moura?

Segundo sua biografia no site da Câmara, Moura nasceu em Salvador, mas fez carreira política em Sergipe. Antes de ser eleito deputado federal pelo PSC em 2010, foi deputado estadual entre 2007 e 2011, prefeito de Pirambu pelo antigo PFL de 1997 a 2004, além de secretário de Integração de Serviços Públicos Metropolitanos de Sergipe em 2005 e 2006.

O deputado é réu em três ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolvem os crimes de apropriação, desvio ou utilização de bens públicos no município de Pirambu.

Além disso, é investigado em pelo menos outros três inquéritos, que apuram tentativa de homicídio e suspeita de corrupção em dispensas de licitação na Assembleia Estadual de Sergipe.

Moura é ainda investigado pela Operação Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro em operações envolvendo o grupo Schahin, em um dos inquéritos que aborda a suposta ligação de Eduardo Cunha com o esquema de corrupção da Petrobras.

O novo líder do governo se declarou inocente de todas as acusações, e disse crer que os processos serão arquivados. “Quero deixar claro que, só pela forma que atuei [na CPI da Petrobras], não tenho nada a temer. Não há delação citando meu nome, não recebi doações de empresas da Lava Jato”, afirmou. (DW)

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