Analista chinês diz que presidente de Taiwan pratica política ‘emotiva e extremista’ por ser solteira

A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen (afp_tickers)

A nova presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, pratica uma política “emocional” e “extremista”, porque é uma mulher solteira sem filhos, declarou um analista militar chinês nesta quarta-feira, em um artigo publicado na média estatal do país.

O ataque mordaz contra esta líder recém-empossada foi feito por Wang Weixing, um analista militar e membro da Associação para as Relações através do Estreito de Taiwan.

“Como uma política do sexo feminino e solteira, Tsai Ing-wen não possui a experiência emocional do amor, (…) da família de filhos”, escreveu Wang no jornal International Herald Leader, subordinado à agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

“Seu estilo e estratégia política muitas vezes tendem a ser emocionais, pessoais e extremistas. Em termos de truques políticos, ela considera menos a estratégia, mais os detalhes tácticos, e metas de curto prazo são fundamentais, enquanto metas de longo prazo são levadas menos em conta”, afirma.

Estas críticas foram feitas dias após Tsai, primeira mulher a se tornar presidente de Taiwan, prestar juramento no palácio presidencial em Taipei.

Taiwan se separou da China continental ao fim da guerra civil em 1949, quando o exército nacionalista se refugiou na ilha após a derrota para as forças comunistas de Mao Tsé-Tung.

Pequim ainda considera Taiwan uma província de seu território nacional, que pode ser recuperada à força em caso de necessidade.

A China tem grandes reservas em relação a Tsai, cujo Partido Democrático Progressista (PDP) é tradicionalmente pró-independência, e alertou contra qualquer tentativa de separação.

Pequim quer que Tsai assuma o consenso tácito concluído em 1992 entre Pequim e Taipé, que afirma que há “uma só China” e que cada parte pode interpretar a sua maneira.

Embora a nova presidente e o partido PDP não reconheçam este consenso de 1992, Tsai repetiu muitas vezes que manterá o “status quo” e, sem se afastar de seus princípios, destacou a importância do diálogo.

O editorial longo de Wang também acusou Tsai de pretender alcançar uma “independência oculta” para Taiwan. O artigo desapareceu de alguns sites nesta quarta-feira, e seu link para a página da Internet do jornal parou de funcionar.

Mas o artigo continuou sendo compartilhado nas redes sociais chinesas, com milhares de comentários no site Sina Weibo, muitos deles criticando a natureza pessoal dos ataques.

“Por que os meios de comunicação oficiais chineses não ousam falar de Putin como ‘um cara solteiro’?”, se perguntou um internauta.

“Não tem nada a ver com política, atacar uma mulher dessa forma é apenas incrivelmente baixo”, escreveu outro.

O artigo de Wang concluiu afirmando que a personalidade de Tsai tem “claramente dois lados”, com um carácter privado que é “um pouco enganador”.

Ele completou: “Quando lidamos com Tsai Ing-Wen, devemos considerar constantemente sua experiência, personalidade e psicológico”. (AFP)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA