A Banca e o Financiamento das Micro, Pequenas e Médias Empresas

JOSÉ MATUTA CUATO Analista (Foto: D.R.)

A actividade bancária é considerada a actividade basilar de todas as demais atividades económicas, dado a importância dos bancos comerciais nas operações de financiamento indirecto dos particulares e das empresas, e por conseguinte no desenvolvimento da economia.

E por ser essencial, absolutamente indispensável para o desenvolvimento económico e social, é que o poder político lhe deve prestar a maior atenção. O desenvolvimento do sistema bancário em Angola tem sido assinalável nos últimos anos , mas, infelizmente a economia nacional não beneficiou como devia ser deste desenvolvimento. A relação entre os Bancos e as empresas é ambivalente.

Necessitam uns dos outros para crescer, mas olham-se (quase permanentemente) com desconfiança. As empresas alegando que os custos financeiros não se ajustam ao risco que a operação confere, enquanto os Bancos vão encontrando “pontos de interrogação” que justificam os pedidos de garantias e a penalização do preço com o acréscimo do spread ou das comissões. Desta forma, negociar com a banca de empresas terá de ser sempre uma arte volúvel, mas que tem alguns pontos de orientação.

As Micro Pequenas e Médias Empresas, devem representar a espinha dorsal da economia nacional e a maior fonte potencial de emprego e crescimento. Elas devem representar o futuro da nossa economia. Pelo que, os Bancos e as MPME necessitam, assim, de colaborar de uma forma construtiva e com confiança mútua.

Na prossecução desse objectivo, as MPME, confrontadas com a presente dinâmica de integração económica à escala global, que tem colocado uma forte pressão competitiva, e os constrangimentos no acesso ao financiamento, sobretudo as de menor dimensão, as que operam em determinadas fases críticas do ciclo de vida e as que promovem processos de maior inovação, têm de estar melhor preparadas para negociar com os Bancos.

Importa recordar que estará sempre reservada às instituições de crédito uma função económica fundamental na alocação da poupança ao investimento, atendendo ao atributo único e distintivo que representa a sua capacidade de escrutínio do risco, de forma ampla e abrangente no universo empresarial.

Por sua vez, nesta dialéctica, os Bancos, para além das questões gerais de concorrência, qualidade, transparência e diligência em relação à universalidade dos agentes económicos, parece-me que devem prosseguir essencialmente com medidas de discriminação positiva para determinados segmentos-alvo, com especial enfoque nas MPME.

A consequência, dos juros altos, é que as empresas não progridem e as MPME – que são a base, naturalmente – precisam de ter recursos mais baratos para poderem crescer.

Os Banco devem trabalhar com as MPME, que são o motor da economia do país, que são dinâmicas, que têm uma estrutura financeira razoavelmente equilibrada, que têm projectos que permitem, no futuro, pagar as dívidas que têm actualmente. Por outro lado, a inevitabilidade de um bom relacionamento entre as MPME e os Bancos resulta também da quase inexistência de alternativas de financiamento fora do sistema bancário.

Desde logo, os mercados de capitais não proporcionam alternativas de capitalização para as empresas, circunscrevendo-se a actividade essencialmente a transacções em mercado secundário. Entre o sistema financeiro e as MPME constitui um inegável factor de desenvolvimento da actividade económica, constituindo a tomada de decisão relativamente às opções de financiamento e às entidades potencialmente financiadoras uma decisão crucial que exige reflexão. (opais)

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