Papa Wemba: Rumba de sol e de orvalho

Papa Wemba (Foto: D.R.)

Os grandes da África também morem de malária. E é tempo de os governos de África criarem a vacina que os países industrializados não criam. A vacina da medicina tradicional. Porque Papá Wemba era muito novo para nos deixar. Papá Wemba. Galáxia cantante de sol e de orvalho, uma combinação emocionante de acordes vocais, como em Maria Valência ou Maman, música dedicada à sua mãe, carpideira profissional.

Wemba passou a sua infância observando a mãe cantar nos funerais. “Se a minha Mãe ainda estivesse viva, eu seria rico em palavras e rico em melodias”, diz Papá Wemba no seu site oficial. Angola homenageou Papá Wemba.

Em nota de condolências pela morte do artista, ocorrida a 24 de Abril em Abidjan, Carolina Cerqueira, ministra da Cultura, descreve Papá Wemba como quem deixa uma marca indelével na herança musical da África Central.

Papá Wemba influenciou várias gerações de artistas do Continente e do Mundo, pelo seu estilo original e sofisticado, tendo firmado uma trajectória artística ímpar marcada pela criação e expansão do estilo zaiko langa langa, uma fusão da dança latina e africana, que inspirou muitos jovens músicos congoleses e conquistou audiência em todo mundo.

Nascido Jules Shungu Wembadio Pene Kikumba em 14 de Junho de 1949, na região de Kasai da República Democrática do Congo (então conhecida como Congo Belga), Papá Wemba, também conhecido como o “Rei do Rumba Rock”, é um dos músicos mais extravagantes e cosmopolitas da África.

Ele emigrou da sua terra natal, para se tornar um dos artistas do world music mais bem sucedidos internacionalmente no final dos anos 80 e início dos anos 90. Por muito tempo um herói no seu país natal com as bandas Zaiko Langa Langa, Isifi Lokole e Yoka Lokole, Wemba alcançou o estatuto de superstar com sua banda Viva La Musica. Depois de algum tempo na Europa, Wemba vira o olhar para a aclamação internacional, e conseguiu-o com o grupo Molokai International.

Sempre cantando na sua língua nativa, garantiu uma audiência global. Wemba é membro da etnia Tetela e foi criado como um descendente directo de uma longa linhagem de chefes guerreiros Batetela. Mais tarde, ganhou o estatuto de chefe guerreiro Tetela de anciãos do clã por sua contribuição à música e cultura. A sua família se mudou para a capital congolesa de Kinshasa, quando ele tinha seis anos.

Após a morte de seu pai em 1966, Wemba juntou-se ao coro de Igreja Católica Romana de St. Joseph. Desistiu de música religiosa, quando deixou a igreja, mas recorda-a como uma influência. Wemba fundou seu próprio grupo, Zaiko Langa Langa, que se tornou uma das bandas mais populares da juventude da nação do movimento Rumba-rock.

Zaiko Langa Langa é uma das manifestações-chave da Nova Vaga Congolesa: uma coligação nebulosa de 20 músicos que actualizaram profundamente o Soukous pela infusão com uma quase electrizante energia.

Apelidado de “King of Rumba”, Papa Wemba foi um dos primeiros partícipes e difusor do influente do “Soukous” na banda Zaiko Langa Langa, criada em Dezembro de 1969, em Kinshasa, juntamente com os seus pares Nyoka Longo Jossart, Manuaku Pepe Felly, Evoloko Lay Lay, Bimi Ombale , Teddy Sukami , Zamuangana Enock , Mavuela Simeão, Clã Petrole e outros músicos congoleses.

A inovação introduzida consistiu criar um som muito mais provocante e mais jovem. ZLL – uma contracção da expressão “Zaire dos Nossos Antepassados” – gerou uma verdadeira família de descendentes, o chamado “Clã Langa Langa”, que inclui Papa Wemba, Bozi Boizana, e os grupos Zaiko, WaWa, Langa Langa Stars, Choc Stars, Anti-Choc, e muitos outros. (cultura)

Por: JOSÉ LUÍS MENDONÇA

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