Visita do corpo diplomático à barragem de Lauca e Biocom constitui destaque da semana

Delegação liderada por Georges Chicoti, Ministro das Relações Exteriores, visita a Biocom (Foto: Gaspar dos Santos)

A visita de uma delegação ministerial e do corpo diplomático acreditado no país ao projecto Hidroeléctrico de Lauca, em edificação no Cuanza Norte, e a unidade industrial de Biocombustíveis (Biocom) em Malanje, constitui manchete do noticiário económico da semana.

No Aproveitamento Hidroeléctrico de Lauca, a delegação foi informada que mais de 10 milhões de metros cúbicos de rocha foram escavados, assim como 10 milhões de metros cúbicos de betão, para construção da barragem de Laúca, no município de Cambambe, província do Cuanza Norte.

Segundo o engenheiro civil, responsável do programa de construção da central eléctrica e da subestação, Manuel Caio, foram igualmente escavados mais de 14 quilómetros de túneis subterrâneos para este complexo hidroeléctrico que terá uma capacidade de produção de 2.071 megawatts, cujas primeiras turbinas entram em funcionamento em 2017.

Na Biocom, projecto que está a ser desenvolvido em Malanje, a delegação foi informada que a empresa de Bio-combustível de Angola vai atingir a sua capacidade plena de produção em 2021, segundo o seu director adjunto, Luís Bagorro Junior.

O complexo agro-industrial, que ocupa uma área total de 81 mil hectares, dos quais 71 mil hectares destinados à agricultura e 11 mil hectares para a preservação ambiental, ainda não atingiu 100 porcento do funcionamento do sem campo agrícola.

Salientou a colheita de cana-de-açúcar desde a fase experimental atingiu uma produção de três mil e 600 toneladas de açúcar. Na segunda fase de produção definitiva, no ano transacto (2015), atingiu 25 mil toneladas e este ano, que marcará a terceira produção em Junho, espera produzir 46 mil toneladas de açúcar.

Garantiu que gradualmente a área de plantação tem aumentado, neste momento estão com cerca 14 mil hectares plantado, uma área desmatada de 20 mil hectares, com o objectivo de se atingir numa primeira fase, uma área de 38 mil hectares para conseguir alimentar a fábrica com a sua capacidade máxima, de dois milhões e 200 mil toneladas de cana-de-açúcar, que se precisa para produzir 256 mil toneladas de açúcar e 28 mil metros cúbicos de etanol.

Realçou que a perspectiva é de produzir açúcar na capacidade máxima montada de 256 mil toneladas, mas não atenderá todas as necessidades do país, porque a actual estatística aponta que o país está a consumir cerca de 600 mil toneladas de açúcar, mas se for duplicada a capacidade da unidade fabril, haverá açúcar para atender toda a demanda do país e exportar.

Explicou que nesta altura têm uma capacidade de produção de energia para exportar – de 235 mil megawatts por ano, que é exportada para o sistema de energia eléctrica da Rede Nacional de Transporte (RNT) na província.

A semana ficou igualmente marcada pela reinauguração do supermercado Shoprite do Palanca, na comuna do Palanca, distrito urbano do Kilamba Kiaxi, após as obras de reabilitação e recuperação das instalações antigas destruídas por um incêndio de grandes proporções presumivelmente provocado por um curto-circuito, em Julho de 2014.

O corte da fita da nova infra-estrutura comercial, com 4500 metros quadrados, coube ao vice-governador de Luanda para sector económico, José Manuel Cerqueira, que considerou a ocasião como um exemplo de perseverança e persistência do grupo empresarial que serve de encorajamento para outros investidores nacionais e estrangeiros a seguirem o mesmo modelo.

A reabertura do supermercado, que criou 400 postos de trabalho directo entre nacionais e estrangeiros, vai repercutir-se positivamente no bem-estar e no nível de vida das famílias, afirmou José Cerqueira.

Por sua vez, o director internacional do grupo empresarial, James Basson, anunciou que a Shoprite vai investir até finais de 2017 USD 500 milhões para expansão e construção de 14 novas lojas em Angola, que vão empregar quatro mil angolanos.

Afirmou que as novas lojas vão se juntar aos outros 53 estabelecimentos comerciais existentes no país e continuar a oferecer produtos alimentares e artigos domésticos com alta qualidade. O grupo empresarial trabalha actualmente com 200 agricultores locais, para contribuir no processo da diversificação da economia nacional e na produção local.

Na senda dos investimentos, o noticiário económico destacou a assinatura de um acordo entre a Unidade Técnica Para o Investimento Privado (UTIP) e a empresa TecnoCarro, do qual resultará na implementação de um projecto agro-pecuário nas margem do Rio Cafuma, município do Cuangar, na província do Cuando Cubango.

Este projecto produzirá 64 mil toneladas de milho e 20 mil de soja serão produzidas nos próximos quatro anos, um investimento avaliado em 20 milhões e 678 mil dólares norte-americanos.

No sector bancário, destaque para apresentação dos resultados de 2015 dos bancos BIC e BPC, pese embora a crise económica e financeira acentuada no país, essas duas instituições apresentaram solidez das suas actividades.

O Banco BIC Angola apresentou no final do exercício de 2015 um resultado líquido de AKZ 27.656 milhões, representando um crescimento de cerca de oito porcento em relação a 2014 em que foram alcançados 20.537 milhões de kwanzas, segundo o seu em presidente do conselho de administração, Fernando Teles.

Fernando Teles, que chamou a imprensa para apresentar os resultados de 2015, afirmou que o volume de negócios (créditos mais de depósitos) atingiu 1.582.067 milhões, representando um crescimento de 13 porcento em relação a 2014.

No mesmo dia em que apresentou o resultado do exercício de 2015, o Banco BIC Angola tornou-se no décimo quinto membro de Negociação e liquidação da Bolsa da Dívida e Valores de Angola (BODIVA), fruto de um acordo assinado entre as duas instituições financeiras, para integração do banco aos mercados regulamentados.

Ao assinar acordo com o administrador da BODIVA, Pedro Pita Gróz, Fernando Teles realçou a importância da assinatura do acordo, porque o Banco BIC é a terceira instituição financeira privada, atrás do BFA e BAI, que mais financia o Estado angolano.

Ao passo que carteira de depósitos do Banco de Poupança e Crédito (BPC) registou em 2015 um crescimento de 4,5 porcento ao atingir 911,4 mil milhões de kwanzas, segundo dados apresentados hoje na Assembleia Geral de Accionistas do banco.

Neste período, o resultado líquido totalizou 8,3 mil milhões de kwanzas e o rácio de solvabilidade fixou-se em 11,3 porcento, superando o valor de 2014 em 1,2 porcento. Por outro lado, tendo em conta a actual situação económica do país, com efeitos directos para o consumidor e a Politica Monetária que permaneceu restritiva, o desempenho do BPC foi marcado por uma evolução mais moderada dos activos em 11,1 porcento, influenciado pela expansão do crédito a clientes e das aplicações em títulos de 42,3 mil milhões de kwanzas (4,8%) e 33,3 mil milhões de kwanzas (72,1%), respectivamente.

A semana ficou também marcada pela visita do presidente da Câmara de Comércio de Valência (Espanha), José Vicente Morata, que elegeu a agricultura, comércio e transportes são as áreas eleitas pelo empresariado de Valência que pretende investir em Angola, por serem os sectores que mais crescem no país.

No país, o representante dos empresários de Valência manteve encontros com responsáveis de organismos de promoção e fomento da actividade económica no país, como os ministérios da Construção, Agricultura, Pescas, Hotelaria e Turismo, Energia e Água, Urbanismo e Habitação, Comércio, UTIP, APIEX, Câmara de Comércio, entre outros.

A realização da primeira Conferência conjunta da Administração Geral Tributária e a Ordem dos Contabilistas e Peritos de Contabilidade de Angola (Ocpca), durante a qual a administradora para os Serviços Fiscais da AGT, Alice das Neves, defendeu que contabilidade no âmbito público ou privado, patrimonial e fiscal deve pautar-se pelos mais elevados níveis de qualidade e transparência, também mereceu destaque.

Disse que o tratamento dos dados contabilísticos constrói-se à base da informação financeira das entidades. Envolve um elevado grau de responsabilidade social por parte do profissional do ramo da contabilidade, tendo em atenção as implicações a nível do processo da tomada de decisão.

A realização do seminário sobre sistema de compatibilidade entre o investimento público e o privado, na abertura do qual o ministro da Economia, Abrahão Gourgel, destacou o facto da nova lei do investimento privado em vigor no país disciplinar o repatriamento de lucros e dividendos, que era um processo menos claro no anterior diploma, também foi matéria de capa.

Segundo Abrahão Gourgel, o disciplinar do repatriamento evitou que ao cabo de um ou dois anos de actividade os investidores estrangeiros repatriassem volumes de capital que não estavam em linha com a actividade que desenvolviam.

O governante, que falava sobre a nova lei de investimento privado, realçou a redução da burocracia, o custo do processo de apresentação, a instrução e aprovação do investimento privado para priorizar as parcerias com investidores nacionais no investimento dos estrangeiros.

A realização do 1º Conselho Consultivo do Ministério das Pescas, na abertura do qual a titular da pasta, Victória de Barros Neto, anunciou que os indicadores da captura do pescado em 2015 foram bastante satisfatórios, tendo atingido 496 mil e 213 toneladas, constitui igualmente destaque da semana.

Segundo a ministra, trata-se de uma cifra “recorde” em termos de produção, reflectindo deste modo o cumprimento criterioso das medidas de gestão de pescas tomadas pelo executivo. (ANGOP)

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