Turmas com menos alunos não têm necessariamente melhores resultados

Em 2012, Portugal apresentava um número médio de alunos por turma em linha com a Europa (22 alunos) (NUNO VEIGA/LUSA)

O tamanho das turmas, só por si, não tem uma relação direta com os resultados dos alunos. É o que se conclui olhando para os dados de vários países europeus.

Muitas são as vozes que se têm levantado em defesa da redução do número de alunos por turma, e o próprio programa de Governo prevê essa medida, mas a verdade é que não só Portugal está em linha com os restantes países europeus, em termos médios, como os resultados escolares parecem estar pouco relacionados com a dimensão das turmas, segundo um estudo que será, esta terça-feira, apresentado e discutido no auditório do Conselho Nacional de Educação.

De acordo com o estudo “O que faz uma boa escola?”, do projeto aQeduto, olhando para o conjunto dos países, “não se verifica qualquer relação entre o número médio de alunos por turma e os resultados PISA”, lê-se no estudo a que o Observador teve acesso.

Exemplo disso é a Holanda — dos países com mais alunos por turma (25) — que obteve uma pontuação de 523 a Matemática no PISA de 2012 em comparação, por exemplo, com o Luxemburgo que apresentava um tamanho médio de 21 alunos e somou 490 no PISA.

Nesse ano, o tamanho médio das turmas na Europa variava entre 18 e 27 alunos. Portugal tinha um número médio de 22 alunos por turma, “em linha com a maioria dos países europeus e inferior ao número máximo de alunos por turma estipulado por lei neste período”.

E sublinham os autores que, entre 2003 e 2012, embora o número médio de alunos por turma se tenha mantido estável em Portugal, a pontuação no PISA subiu cerca de 20 pontos. Já na Finlândia, onde o tamanho das turmas se manteve estável (abaixo dos 20), a pontuação desceu. E na Holanda o número de alunos por turma aumentou nesse mesmo período e a pontuação no PISA baixou. Na Suécia igual e na Dinamarca também.
Melhores escolas têm professores motivados e mais atividades extracurriculares

Este documento, que servirá de base à discussão do 5.º fórumdo aQeduto, procura ainda responder à questão: “O que faz uma boa escola?”. E os autores chegam à conclusão, depois de falarem com diretores de escolas, que as escolas com bons resultados e que servem populações com baixos recursos distinguem-se das demais por terem professores mais motivados, atividades extracurriculares, infraestruturas e recursos satisfatórios e autonomia na gestão do orçamento. As que estão no extremo oposto são escolas que chumbam mais alunos, por exemplo.

O Projeto aQeduto é uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, desenvolvido por uma equipa multidisciplinar. Este projeto visa explicar a variação dos resultados dos alunos portugueses nos testes PISA, entre 2000 e 2012, tendo em conta três eixos fundamentais: os alunos, as escolas e o país. (OBSERVADOR)

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