Terroristas de Bruxelas tinham plano de ataque para o Euro 2016

(KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Getty Images)

Mohammed Abrini admitiu que estava a planear um novo ataque terrorista em Paris no Euro 2016. Os atentados em Bruxelas terão sido planeados à última hora. Saiba quem é o “homem do chapéu”.

O grupo terrorista que planeou os ataques em Paris (a 13 de novembro) e em Bruxelas (a 22 de março) estava a preparar um novo ataque para o Euro 2016, que vai começar a 10 de junho. De acordo com a informação avançada pelo jornal francês Libération, Mohammed Abrini explicou às autoridades que os atentados no metro de Bruxelas e no aeroporto de Zaventem não estava sequer nos planos desta célula terrorista e que só aconteceu porque se aperceberam que o cerco da polícia se estava a apertar, após a detenção de Salah Abdeslam.

Mohammed Abrini foi detido na última sexta-feira e admitiu ter estado envolvido nos atentados de Paris e em Bruxelas. O terrorista de 31 anos revelou ser o “homem do chapéu”, que deixou um saco com explosivos no aeroporto e depois saiu sozinho do local, escapando à polícia durante mais três semanas. Abrini já era procurado desde novembro, por ter sido visto com Salah Abdeslam uns dias antes do atentado de Paris numa área de serviço. Os dois viajavam num Renault Clio preto, usado no ataque que vitimou 130 no coração parisiense a 13 de novembro.
Quem é Mohammed Abrini?

Os amigos tratam-no por “Brioche” porque Mohammed Abrini, um terrorista belga de origem marroquina, já foi padeiro. Nasceu em 1985 no bairro de Molenbeek, um verdadeiro ninho de terroristas muçulmanos de origem marroquina onde o desemprego se eleva até aos 30%. O “homem do chapéu” era amigo de infância de Salah Abdeslam e foi com ele que esteve durante os atentados de Paris, a 13 de novembro.

As autoridades já o conheciam: ainda não tinha 18 anos e já tinha largado o curso de soldado para se entregar ao mundo da droga e das armas, tendo mesmo estado preso por tráfico e por roubo. A última vez que os registos policiais incluem o nome de Abrini foi em 2014: nesse ano, o irmão Suleyman Abrini morreu na Síria após oito meses ao serviço do Estado Islâmico. Chorou, garante a mãe, e depois viajou. No ano seguinte, Mohammed Abrini já surgia na lista de 85 pessoas originárias do bairro de Molenbeek que podiam estar radicalizadas. A irmã do terrorista não acreditava na altura que ele tinha seguido os mesmos passos que o irmão mais novo: “Eles são como a noite e o dia. E o Mohammed sempre gostou de viajar”.

De viajar e de ganhar muito dinheiro, fosse de que forma fosse. Foi a descrição que Ali Oulkadi, um dos detidos dos atentados de Paris, fez às autoridades de Abrini: “O Brioche adora o dinheiro e já arranhou muito. Diz-se que conseguiu sacar 200 mil euros num golpe só. É um ladrão que nunca falou de religião ou sobre o que quer que tenha entre as mãos”. A polícia questionou Oulkadi sobre Mohammed Abrini, mas sabia que ele não estava em Paris a 13 de novembro: nesse dia, o “homem do chapéu” estaria em Bruxelas a assinar um contrato de arrendamento de um apartamento na capital belga. À família, Abrini disse que a casa serviria para viver com a noiva a partir de fevereiro de 2016.

A 24 de novembro de 2015, a polícia lançou um mandato de busca onde descrevia Abrini como um homem “perigoso e provavelmente armado”. Com a nota espalhada pelas autoridades havia uma fotografia e a informação de que Abrini já teria estado na Síria a receber treino militar do Estado Islâmico e que poderia tentar voltar. Não voltou: foi encontrado em Anderlecht, três semanas depois de ter estado envolvido nos ataques terroristas de Bruxelas. Garantiu à polícia que era o “homem do chapéu” que acompanhava os bombistas do aeroporto de Zaventem com malas cheias de explosivos num carrinho. E explicou também que o atentado em Bruxelas foi um plano de última hora: a verdadeira intenção da célula terrorista seria voltar a Paris para atacar a Europa em pleno Euro 2016. (OBSERVADOR)

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