Salário mínimo britânico aumenta em momento de cortes das ajudas sociais

(AFP)

O salário mínimo britânico aumentou 7,5% nesta sexta-feira, graças a uma mudança orquestrada pelo governo conservador, mas a medida não é suficiente para acalmar os sindicatos, que criticam a austeridade imposta em outros âmbitos.

Quase 1,8 milhão de trabalhadores serão beneficiados com a criação do salário “salário nacional vital” (NLW, na sigla em inglês), o novo nome do atual “salário mínimo nacional” (NMW), que vai passar de 6,70 libras brutas a hora (8,50 euros) a 7,20 libras (9,13 euros).

Em um país com baixo índice de desemprego, por volta de 5%, mas onde ainda existem profundas desigualdades, o aumento do salário mínimo é “significativo, mas, sobretudo simbólico”, afirma Alan Manning, professor na London School of Economics.

O aumento do salário mínimo, apesar de considerável, representa apenas 0,1 % da massa salarial do país. Além disso, apenas os trabalhadores a partir de 25 anos serão beneficiados. Para os funcionários mais jovens, o NWM continuará em vigor e o mínimo fica um pouco acima das 4 libras (quase 5 euros) por hora para as pessoas com menos de 18 anos.

Na comparação com a Europa, o novo salário mínimo britânico deixará o país mais próximo do nível alemão (8,50 euros) ou francês (9,67 euros).

Mas em termos de poder aquisitivo, continua muito inferior, segundo uma avaliação da Living Wage Foundation, para permitir uma vida digna, sobretudo em Londres, onde o preço da moradia é elevado.

Os representantes sindicais lamentam que, ao mesmo tempo que o governo do primeiro-ministro David Cameron promove o aumento do salário mínimo, corta de forma drástica as ajudas sociais.

Tim Nichols, porta-voz do Trades Union Congress, a principal confederação sindical do país, disse que “muitas pessoas mal pagas dependem das ajudas aos trabalhadores, como os créditos de impostos ou os auxílios para a moradia, para conseguir recursos suficientes”.

“O novo mecanismo de suspensão de parte das ajudas aos trabalhadores significa que se o salário aumenta, a ajuda complementaria diminui”, explicou. (AFP)

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