RR: Morais Sarmento pede ao PSD para não recusar “à partida” o banco mau

(Vítor Mota/Correio da Manhã)

O ex-ministro acredita que a criação do “banco mau” pode ser uma boa solução para a banca nacional e sugere que este apelo seja alargado ao CDS-PP, segundo a Rádio Renascença.

Morais Sarmento pediu ao seu partido para não recusar imediatamente a proposta de criação de um veículo financeiro para o crédito malparado da banca nacional. O ex-ministro do PSD disse, no programa “Falar Claro” da Rádio Renascença, que a ideia pode ser boa, caso sejam ultrapassadas as dificuldades técnicas para a sua implementação.

“Não faria nenhum sentido que o PSD ou o CDS recusassem, à partida, uma solução deste tipo antes de conhecerem os seus detalhes técnicos. Apenas no plano técnico é que ela pode ser criticável. À partida, avançar com esta ideia pode merecer a nossa rejeição ou recusa? Não. Pelo contrário, se não houver problemas técnicos e se o Governo descobrir – não sei muito bem como – o dinheiro ou a garantia a prestar, até pode ser, de facto, uma boa solução”, afirmou Morais Sarmento.

O antigo governante diz que a solução é “muito à portuguesa” a admite estar a favor se o Governo explicar se lá “põe dinheiro ou dá garantia”.

Para Morais Sarmento, a vantagem desta proposta passa por “atirar a conta final desse crédito malparado para lá de dez anos. Até lá, o que pagamos é algum juro. Isto tem um custo financeiro, mas não pagamos aquele malparado. Durante dez anos não nos chateamos com isso”, referiu.

Mas criticou a falta de detalhe na proposta. “Isto só se pode fazer se houver dinheiro ou capacidade legal de garantia. O Estado não tem dinheiro nem garantia. Não percebo como é que isto se faz”, lamentou.

Já o socialista Vera Jardim reconhece que a operação é difícil “sobretudo para um país em que não há capital. Não há grandes condições para o Estado pôr [dinheiro] neste momento”, referiu. E salientou que a proposta #deve ser trabalhada”.

Vera Jardim criticou o PCP e o Bloco de Esquerda por estarem contra “uma coisa que ainda não conhecem nos seus detalhes”.

O primeiro-ministro, António Costa, propôs que se criasse “um veículo de resolução para o crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa no financiamento às empresas”. A ideia não é nova e já foi usada em Espanha e Itália.

O socialista mostrou-se ainda preocupado com a posição da Comissão Europeia sobre a capitalização da CGD. “Se o único accionista da CGD é o Estado, um aumento de capital é uma ajuda de Estado? Às tantas a União Europeia está a dizer que em Portugal não pode haver um banco público! Ou que esse banco público não pode aumentar o capital! Não sei qual é a posição exacta de Bruxelas neste momento sobre isso. Se for esta, efectivamente está a exorbitar [a sua competência] “, lamentou. (Jornal de Negocios)

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