Resultados: Remodelar para melhor carburar

RUI MALAQUIAS Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)

Foi sem surpresa que acompanhamos as remodelações governamentais, no início de mês de Março, efectuadas por sua Excelência o Camarada Presidente, José Eduardo dos Santos, que apesar de serem de uma abrangência política muito notável, não vamos falar do alcance político das remodelações, deixando essa parte para as pessoas “politologamente” competentes, vamos falar, sim, do que é a nossa praia.

Economicamente, entendemos que as mudanças representam um esforço muito claro e inequívoco de alteração da estratégia e da política no que respeita à economia real, bem como ao próprio sector financeiro nacional, procurando assim articular esforços e promover a eficiência da utilização de recursos que se afiguram muito mais escassos do que alguma vez, em toda a nossa história económica do pós-guerra.

No caso do Ministério do Comércio, a mensagem é inequívoca, temos que assegurar relações comerciais mais vantajosas para a economia, privilegiando a descontinuação das importações potenciando, ao mesmo tempo, o alcance dos produtos nacionais além-fronteiras, após cobrir a procura nacional, em busca da entrada de divisas por intermédio das exportações.

Foi claro que a estratégia anterior daquele ministério não reflectiu os anseios do Executivo, aglutinando a entrada e distribuição de bens e serviços essenciais em poucos agentes económicos, confiando-lhes assim certo poder de manipulação do mercado. De facto, notou-se nos últimos dois meses uma subida artificial dos preços, derivada desta manipulação.

Por outro lado, os programas de potenciação da produção nacional, dos mesmos produtos, alvo de manipulação, não surtiram efeitos em grande escala, pela falta de articulação da cadeia produtiva, ao ponto de a produção acontecer de facto, mas não haver investimentos de ligação entre os produtores e os grossistas, mercados e superfícies comerciais.

Quanto ao Ministério da Hotelaria e Turismo, pensamos que aqui a questão também é de fundo, porque parece ser um gigante adormecido da nossa economia, sendo que de todos os sectores económicos é o que é, de facto, sustentável e com entrada garantida, quase automática, de divisas.

No que respeita ao sector financeiro, a remodelação foi feita no sentido de um “acerrimar” fileiras no que respeita à supervisão da utilização dos escassos recursos que o Estado obtém e utiliza como ferramentas para defender o kwanza a e manter controlada a inflação e a taxa de juro; estamos a falar das divisas, pois a própria política monetária faz-se com dinheiro.

Por outro lado, não devemos apenas apertar as regras, devemos também conceder incentivos aos bancos para que se sintam motivados para exercer o seu papel dentro das novas regras existentes e melhorar a sua relação com os seus clientes e com aqueles que a si recorrem para financiar os seus projectos.

Por fim, pensamos ser o momento certo para uma alteração na estratégia de implementação do Mercado de Capitais, que contrariamente à sua génese (servir de fonte de financiamento mais barato para as empresas) preferiu oferecer um meio para financiar o Estado, ao invés das empresas, abrindo um mercado para emissão de divida pública, algo que os bancos comerciais já fazem há muito tempo, e o Tesouro Nacional, e muito bem, não entende que haja motivo para utilizar este mercado.

Tal como urge a necessidade de a Comissão do Mercado de Capitais apanhar o comboio da eficiência, entendemos que a gestão dos recursos públicos deve igualmente procurar pautar-se pelo único caminho possível, na situação actual de escassez de recursos, que é o da eficiência, pois pelo que entendemos dos últimos pronunciamentos da liderança da superestrutura do país, não há margem para errar, bem como não há tempo ou dinheiro para desperdiçar. (jornaldeeconomia)

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