Política brasileira precisa de limpeza completa, diz “Economist”

"The Economist" traz o Cristo Redentor pedindo socorro na capa, com o título: "A traição do Brasil" (DW)

Crise no país volta a ser capa da edição latino-americana da revista britânica. Ao abordar votação do impeachment na Câmara, artigo diz que a culpa do fracasso brasileiro não é só de Dilma, mas “de toda classe política”.

A tradicional revista britânica The Economist voltou a dedicar suas páginas à crise política no Brasil. Com o título The great betrayal (A grande traição), o artigo diz que a culpa do fracasso brasileiro não é somente da presidente Dilma Rousseff, “mas de toda a classe política”.

A capa da edição latino-americana da revista, que chega às bancas neste sábado (23/04), traz uma montagem do Cristo Redentor segurando um cartaz de “SOS”. É a terceira vez que a publicação usa a imagem do monumento no Rio para ilustrar capas sobre o Brasil.

Na reportagem, a Economist aborda a votação do último domingo, na Câmara dos Deputados, sobre o processo que pede o impeachment de Dilma. Na ocasião, os parlamentares aprovaram o seguimento da denúncia ao Senado por 367 a 137 votos.

Segundo a publicação, “o espetáculo na Câmara” foi um dos episódios mais “estranhos” da história do Congresso brasileiro. “O que é alarmante é que aqueles que estão trabalhando para o seu afastamento são, em muitos aspectos, piores do que ela”, diz a revista, citando ainda algumas dedicatórias incoerentes dos deputados na hora de proclamar seu voto.

“A mancha de corrupção está espalhada por muitos partidos brasileiros. Dos 21 deputados sob investigação no caso da Petrobras, 16 votaram pelo impeachment de Rousseff. Cerca de 60% dos congressistas enfrentam acusações de delito criminal”, lembra o artigo.

“Momento de desespero”

A Economist contextualiza a atual situação da crise econômica brasileira – que descreve como “a pior recessão desde a década de 1930” –, mas diz que Dilma não é a única culpada. “Toda a classe política tem decepcionado o país por meio de um combinado de negligência e corrupção”, declara.

Segundo o texto, “os líderes brasileiros não serão capazes de reconquistar o respeito de seus cidadãos ou superar os problemas da economia a menos que haja uma limpeza completa”.

Temer: “alívio de curto prazo”

A revista afirma que, se assumir o governo em caso de um impeachment, o vice-presidente Michel Temer seria capaz de “fornecer um alívio econômico de curto prazo” ao Brasil. Ao contrário de Dilma, “ele sabe fazer as coisas acontecerem em Brasília, e o PMDB é mais amigável aos negócios do que o PT”.

Apesar disso, a reportagem lembra que o partido de Temer “também está irremediavelmente comprometido”, citando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que é réu em ações no Supremo Tribunal Federal acusado de receber propina no esquema de corrupção na Petrobras.

A publicação, por um lado, é esperançosa ao dizer que algumas instituições brasileiras, especialmente aquelas voltadas ao cumprimento da lei, “estão amadurecendo”. A prova disso é o escândalo na Petrobras, que “tem aprisionado alguns dos políticos e empresários mais poderosos do país”.

Novas eleições

Segundo a Economist, uma maneira de o Brasil resolver a crise seria convocando novas eleições gerais. “Apenas novos líderes e legisladores seriam capazes de realizar as reformas fundamentais de que o Brasil necessita”, diz a revista, acrescentando que “os eleitores merecem uma chance de se livrar de um Congresso infestado de corrupção”.

A reportagem, porém, diz que essa é uma realidade difícil de acontecer. De qualquer forma, sugere que os brasileiros “não se esqueçam desse momento” de crise política, já que, ao final de tudo, “eles terão a chance de ir às urnas novamente” – e devem aproveitar esse direito para votar por algo melhor. (DW)

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