Polícia brasileira relaciona subornos de construtora com Lula da Silva

A pensar o futuro. Lula da Silva durante um discurso, segunda-feira à noite, no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Paulo. Lula desafia o vice presidente Michel Temer a concorrer à presidência do Brasil (Lusa/EPA/RICARDO NOGUEIRA)

Em causa, o pagamento de 3,6 milhões de reais (879 mil de euros) ao Instituto Lula e à LILS Palestras.

Um documento da Polícia Federal (PF) brasileira indica pagamentos realizados ao Instituto Lula e à LILS Palestras na contabilidade usada pela construtora Andrade Gutierrez para pagamento de subornos, divulgou esta terça-feira a imprensa brasileira.

De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, um laudo da PF, feito com base na quebra do sigilo fiscal da empreiteira Andrade Gutierrez destaca o pagamento de 3,6 milhões de reais (879 mil de euros) ao Instituto Lula e à LILS Palestras, ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2011 e 2014.

São valores que “transitaram” por uma conta chamada “overhead” e que fizeram o mesmo percurso do dinheiro que abasteceu empresas investigadas por lavagem de dinheiro de subornos alvo da Operação Lava Jato (que investiga corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal, nomeadamente na Petrobras), como empresas ligadas aos operadores financeiros Adir Assad, Fernando “Baiano” Soares, Mário Goes e Júlio Gerin Camargo, todos presos.

“Foram identificados lançamentos contábeis indicativos de pagamentos e doações a empresas e instituições vinculadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no montante de R$ 3.607.347, entre os anos de 2011 e 2014”, pode ler-se no documento da PF

“Cumpre destacar que, conforme subseção III.3.5, recursos destinados à LILS transitaram pela conta contábil ‘overhead’ e realizaram percurso similar ao de empresas que estão sendo investigadas no âmbito da Operação Lava Jato pela prática de lavagem de capitais e/ou pelo recebimento dissimulado de recursos.”

O documento data de 25 de fevereiro e foi elaborado pelos peritos criminais federais Daniel Paiva Scarparo, Audrey Jones de Souza e Ivan Roberto Ferreira Pinto. De acordo com o Estadão, o documento servirá para a Lava Jato cruzar dados documentais com as declarações dadas pelos executivos da empreiteira, no acordo de delação premiada. (TVI24)

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