Paz precisa gerar desenvolvimento sustentável

Área asfaltada do novo aeroporto de Luanda, um empreendimento resultante da paz (ANGOP)

A paz tem nome, segundo o papa Paulo VI, chama-se Desenvolvimento. Nos dias que correm a paz ganhou um nome qualificado: Desenvolvimento Sustentável – o que é capaz de suprir as necessidades da geração actual sem comprometer as gerações futuras.

Nessa senda, Angola tem vindo a gozar os benefícios da paz há 14 anos, desde 4 de Abril de 2002, data em que os angolanos assinaram o acordo de paz e consagrada como “Dia da Paz e Reconciliação Nacional”.

Após a cessação da guerra, isto é, com a paz, que é praticamente a charneira do desenvolvimento para qualquer Estado ou Nação, Angola pôs em marcha toda sua energia para suprir um conjunto de necessidades relegadas ao segundo plano por força do conflito armado.

A conferência de doadores anelada era uma das vias de financiamento que Angola pretendia para sair do estado “gritante de necessidades”. Entretanto, os potenciais financiadores indicavam que o país tinha recursos naturais capazes de suster as suas próprias necessidades.

É por essa via, a da extracção dos recursos naturais – sobretudo do petróleo, que Angola começa o seu processo de crescimento económico. Ainda não é o desenvolvimento, mas já existem laivos de desenvolvimento que precisam ser sustentáveis e transversais.

O empréstimo bilionário da China a Angola (USD 2 biliões de dólares norte-americanos), logo após a paz, tendo como meio de troca o crude, constituiu-se na principal alavanca para o relançar de uma economia desestruturada e inflaccionada. Dependente das importações, com indústrias destruídas, sem vias rodoviárias e ferroviárias circuláveis.

Este primeiro avultado empréstimo da China permitiu um grande ganho ao povo angolano no domínio da circulação de pessoas e bens. Foi possível construir novas estradas e caminhos-de-ferro – que ligaram o país de norte a sul e leste ao oeste.

O petróleo deu muito mais ao país. Permitiu, em anos áureos, o acumular excessivo de reservas cambiais, o estabilizar da economia, o controlo da inflacção e o financiamento de projectos agrícolas e industriais que visam o relançamento de uma economia monodependente, assim como diversificá-la para evitar as importações de quase tudo.

Com a paz, foi possível o surgimento de uma classe empresarial financiada pelos bancos. Até 2002, ano da assinatura do acordo de paz, Angola não tinha meia dezena de bancos. Hoje o país tem mais de duas dezenas.

Havia apenas uma seguradora, a Ensa – empresa pública. O mercado dos seguros agora é competitivo e animado por cerca de duas dezenas de seguradoras.

Angola conseguiu tornar o diamante, um dos recursos minerais que financiou a guerra, numa fonte de riqueza apenas para fins benéficos. Através do Processo Kimberley foi possível pôr fim ao comércio ilícito de diamantes, vulgo diamante de sangue. Neste processo, Angola é reconhecida internacionalmente pelo seu excelente contributo.

No domínio da Agricultura, foram implementados vários projectos, com destaque para a Biocom – companhia de produção de açúcar e energias limpas (província de Malanje), projecto agrícola da Quiminha (Luanda), de produção de cereais e ovos (província de Malanje), projecto agropecuário Aldeia Nova, no Waku Kungo, dentre outros espalhados pelas 18 províncias do país.

Já no domínio energético, tendo em conta o défice que o país tem, quer para consumo doméstico quer para o industrial, estão a ser executados vários projectos, dentre os quais a central do ciclo combinado do Soyo que começa a gerar electricidade a partir de 2017, com uma potência instalada de 750 megawatts.

A barragem de Laúca, no Cuanza Norte, cujas duas primeiras turbinas vão produzir 340 megawatts (MW) e a reabilitação e modernização da barragem de Cambambe, em curso desde 2009, que vai gerar 960 megawatts de energia e beneficiar oito milhões de pessoas.

No ramo dos transportes, além da construção das vias rodoviárias e férreas, foram construídos, pelo menos, oito aeroportos, em várias províncias, com destaque para o internacional da Catumbela, situado na província de Benguela.

Neste momento, está em curso o maior aeroporto internacional do país, em Luanda. Foram igualmente adquiridos, dentro dos 14 anos de paz, várias aeronaves para voos domésticos e internacionais.

Em relação ao sector de geologia e minas, o ministério está a efectuar um levantamento e cadastramento de todos recursos minerais do país para sua melhor gestão e exploração, assim como para diversificar a economia, de forma sustentável.

Quanto à indústria, uma das áreas decisivas para o desenvolvimento de Angola, embora de forma tímida, estão a ser implantadas fábricas diversas em vários pólos industriais.

De igual modo, destaca-se a Zona Especial Económica, um projecto industrial erguido em tempo de paz.

Portanto, são inúmeros os ganhos dos 14 anos de paz em Angola, porém o país precisa distribuir melhor sua riqueza para que seja efectivamente visível e sentida nos seus cidadãos. Daí a frase proferida por Paulo VI: “Desenvolvimento é o novo nome da paz”. (ANGOP)

por Paulo André

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