Oposição angolana debate coligação eleitoral contra MPLA

(DPA)

É preciso unir a oposição angolana para enfrentar o MPLA nas próximas eleições – a proposta é do partido extraparlamentar Bloco Democrático. Mas divisões, interesses pessoais e clima de medo poderão dificultar o plano.

João Baruda, secretário-geral do Bloco Democrático, está convicto: Uma frente eleitoral da oposição contra o partido do Presidente José Eduardo dos Santos será a única forma de poder ganhar as eleições gerais de 2017 em Angola.

“Só com os partidos políticos unidos conseguiremos remover o MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola] do poder e prosseguir com o projeto de democracia, que se quer efetiva”, afirma Baruda em entrevista à DW África. “O mal maior de tudo aqui é o MPLA e o seu líder.”

O porta-voz do maior partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), revela que os partidos na oposição com assento parlamentar já debatem há algum tempo a criação de uma candidatura única eleitoral.

“O importante agora é procurar-se a forma de estruturação desta plataforma que se propõe aprofundar, diz Alcides Sakala.

Coligação da oposição é viável?

O político recorda, no entanto, que, no passado, já houve ensaios de coligações da oposição que foram mal sucedidos por falta de sintonia entre os partidos: “Fizemos várias experiências que não resultaram. Verificou-se que, depois destas iniciativas, cada um queria concorrer sozinho.”

A ideia de um bloco da oposição nas próximas eleições agrada a Sapalo António, co-fundador e membro do comité permanente do Partido de Renovação Social (PRS). Mas o político também adverte que as questões de ideologia partidária e interesses pessoais poderão dividir a oposição mais uma vez.

“Temos de definir bem as coisas e sermos coerentes, e isso não acontece”, diz Sapalo António. “Quais os partidos de direita e esquerda? Muitos partidos continuam a defender poderes centralizados na mão de uma única pessoa – o mesmo que o MPLA defende. Então, que mudanças querem para o país? Nós no PRS queremos descentralização política.”

O dirigente dos renovadores sociais denuncia ainda um clima de medo no seio de alguns partidos, que torna a oposição apática no confronto com o MPLA. “Sabemos que este regime já compreendeu que o povo angolano e os partidos políticos são medrosos. Basta serem ameaçados ou que se ponha um cidadão na cadeia para os dirigentes dos partidos políticos sentirem medo”, afirma.

A Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) considera, porém, que é preciso ultrapassar estes obstáculos e avançar com a ideia de um bloco da oposição contra o MPLA, nas próximas eleições.

“Ao nível da CASA-CE temos abordado este assunto. Tanto é assim que tivemos as jornadas parlamentares da oposição”, diz o secretário na província de Benguela, Francisco Viena. “Mas que passemos à prática deste grande desiderato para o derrube da ditadura em Angola.” (DW)

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