Número de mortos por terremoto no Equador sobe para 350; equipes ainda buscam sobreviventes

Equipes de resgate buscando por sobreviventes em meio a destroços no Equador. 17/04/2016 (REUTERS/Guillermo Granja)

O número de mortos pelo pior terremoto no Equador em décadas subiu para 350 nesta segunda-feira, à medida que sobreviventes aterrorizados descansavam em meio aos escombros enquanto equipes de resgate ainda procuravam por sobreviventes na assolada região costeira do país andino.

O tremor de magnitude 7,8 ocorrido no sábado destruiu edifícios e ruas, cortou o fornecimento de electricidade e deixou pelo menos 2.068 feridos no Equador.

Ao actualizar o número de mortos, o presidente Rafael Correa disse à Reuters na cidade de Portoviejo, na zona mais atingida pelo tremor, que o número de vítimas fatais pode subir ainda mais em decorrência do desastre.

Correa afirmou ainda que o custo de reconstrução será de “biliões de dólares”.

Na cidade costeira de Pedernales, devastada pelo tremor, sobreviventes se encolhiam em colchões ou cadeiras de plástico para passar a noite perto dos destroços de suas casas. Soldados e policiais patrulhavam as ruas escuras enquanto as equipes de socorro prosseguiam com seu trabalho.

No final do domingo, bombeiros entraram em uma residência parcialmente destruída para procurar três crianças e um homem aparentemente presos nas ruínas enquanto cerca de 40 pessoas se reuniam na escuridão para acompanhar seus esforços.

“Meus primos pequenos estão lá dentro, antes ouvimos ruídos, gritos. Precisamos encontrá-los”, implorava Isaac, de 18 anos, enquanto os bombeiros vasculhavam o local.

Barracas foram montadas no estádio ainda intacto da cidade para guardar corpos, tratar os feridos e distribuir água, comida e cobertores aos sobreviventes. Pessoas vagavam com membros feridos e enfaixados, enquanto pacientes com ferimentos mais sérios eram encaminhados aos hospitais.

O presidente Rafael Correa, que abreviou uma visita à Itália, foi verificar os danos na província costeira de Manabi na noite de domingo.

“O Equador foi atingido com tremenda dureza”, disse Correa, com voz embargada, em um discurso televisivo, afirmando temer que o saldo de mortes do que chamou de tragédia irá aumentar.

Embora ainda não se conheça a extensão total dos danos, o desastre provavelmente irá piorar o desempenho económico do país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) este ano, já afectado pela queda no preço da commodity.

A crucial indústria energética equatoriana parece não ter sido afectada pelo terremoto, embora a refinaria de Esmeraldas, a principal do país, tenha sido fechada por precaução. Mas as exportações de bananas, flores, cacau e peixe podem sofrer atrasos por causa dos estragos nas estradas e dos atrasos nos portos.

O tremor também pode alterar a dinâmica política antes da eleição presidencial do ano que vem. (REUTERS)

por Julia Symmes Cobb e Ana Isabel Martinez

com Ana Isabel Martínez em Portoviejo

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