Novas violências no centro de Moçambique

Até agora não se chegou a nenhum consenso sobre um eventual novo encontro entre o Presidente e o líder da Renamo (na foto) (Cristiana Soares)

Foi constatada ontem a abertura de uma enorme cratera numa estrada da zona de Honde, no distrito de Barué em Manica no centro de Moçambique. A abertura do buraco na madrugada deste domingo que está a condicionar a circulação entre as províncias de Manica e Tete é atribuída a guerrilheiros da Renamo que terão igualmente incendiado três viaturas civis.

A polícia moçambicana afirma ainda ter impedido a Renamo de cumprir igualmente na província de Manica um plano de sabotagem de uma ponte, uma operação que culminou com o abate de dois guerrilheiros do principal partido da oposição. Por seu turno, a Renamo afirma que duas sedes suas na província de Manica foram vandalizadas por desconhecidos na madrugada de hoje.

Desde Fevereiro têm-se multiplicado os incidentes no centro do país, o que tem levado as autoridades a designadamente restabelecer as escoltas militares às viaturas circulando nos eixos mais expostos aos riscos de ataques. Refira-se que a Renamo pretende instalar os seus respectivos executivos nas seis províncias onde afirma ter vencido as eleições de finais de 2014.

Noutro aspecto, a actualidade dos últimos dias em Moçambique tem sido dominada pelos pedidos de explicação de vários quadrantes sobre os empréstimos contraídos por Maputo de cerca de mil milhões de Dólares nomeadamente para a criação em 2013 da Empresa Moçambicana do Atum, a Ematum. Depois do FMI ter anunciado no final da semana passada a suspensão da sua cooperação até ao esclarecimento dessas transacções, soube-se que o primeiro-ministro moçambicano vai deslocar-se amanhã rumo a Washington para explicar ao FMI e ao Banco Mundial o sucedido. Esta deslocação acontece no momento em que a agência de notação financeira Moody’s acaba hoje de baixar a nota de Moçambique de B3 para Caa, a agência tendo alertado para o risco de incumprimento por parte de Moçambique, apesar do país ter recentemente obtido um reescalonamento do pagamento da sua dívida. (RFI)

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