Laurentino Abel Martins : “Eu aguentei Malanje na fase mais difícil”

Era uns dos empresários mais sonantes na década de 90. As iniciais do seu nome Laurentino Abel Martins incorporavam um conglomerado empresarial, em que o “ex-libris” era a companhia de aviação LAM. Mas foi com o seu Cambondo de Malanje, equipa que atingiu a primeira divisão, que o empresário terá vivido um dos períodos mais emocionantes da sua vida. Por isso, é sobre desporto, política e negócios que O PAÍS conversou esta semana com este homem, que é, para muitos, um dos grandes símbolos da resistência da terra da Palanca Negra em tempos de guerra.

O que é feito de Laurentino Abel Martins?

Sou sempre o mesmo. Continuo com os meus trabalhos. Tenho aqui o estaleiro, continuo com a camionagem e com o comércio, menos a aviação, porque acabou para quase todos os privados.

Durante a década de 90 foi uma pessoa sempre presente nos meios de comunicação social. Quais são as razões desse desaparecimento?

Eu dei um grande contributo para este país no desporto, no comércio, na aviação e em tudo que vocês sabem. Infelizmente, os apoios e aquela consideração pelo que fiz praticamente que não houve. Eu continuo a trabalhar e a fazer a minha vida normalmente. Praticamente acabou-se com o desporto em Malanje, gastei tanto dinheiro e não houve apoio nenhum.

É do conhecimento de todos que o apoio foi praticamente zero. Portanto, o então governador de Malanje ainda me fez vida negra ao receberme os bens, como toda a gente sabe. O que dava mais realce era o desporto em que aos fins- de- semana dava as entrevistas sobre como se perdeu, ganhou ou decorreram os jogos.

Gostaria de falar inicialmente sobre o seu lado desportivo ou empresarial?

Posso começar pelo desporto. Vocês sabem que fiz tudo por Malanje numa fase difícil. O que fiz pela província de Malanje não foi fácil. Eu na altura estava a desembolsar valores sozinhos, o próprio Governo Provincial não me deu ajuda nenhuma. Eu disse pelas rádios e pela televisão que não tive apoio nenhum. Foi praticamente zero e disse que tinha que acabar com o Cambondo porque não havia apoios.

Fui a Malanje, mas não houve apoios. Então tive que acabar com a equipa. Disse que a partir daquele momento o Cambondo já não vai aparecer porque não há dinheiro e não há apoios. Eu continuaria a contribuir para o Cambondo, mas com um certo apoio do Governo e de outras instituições. Mas como o apoio era zero, então tive que me desligar da equipa. (opais)

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