João Soares promete bofetadas a Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente

(TIAGO PETINGA/LUSA)

O ministro da Cultura prometeu na sua página de Facebook procurar o crítico Augusto M. Seabra para lhe dar “prometidas bofetadas”. Vasco Pulido Valente também é visado.

O ministro da Cultura, João Soares, prometeu duas bofetadas a Augusto M. Seabra, crítico, depois de este ter escrito na sua coluna de opinião que o ministro não tinha qualificações para o lugar. Soares espera ter a “sorte” de se cruzar com o crítico, afirmando mesmo que o vai procurar para lhe aplicar duas bofetadas.

Também Vasco Pulido Valente, historiador e colunista, é visado nesta ameaça, embora João Soares não esclareça diretamente a ofensa de Pulido Valente. No entanto, este cronista tinha escrito no início de março que não tinha “qualquer respeito nem como homem, nem como político” por João Soares.

Já no texto de Augusto M. Seabra, crítico, publicado na quarta-feira este afirma que “o tão badalado ‘tempo novo’ é na cultura apenas o “tempo velho” dos hábitos socialistas” e que João Soares é um “derrotado nato”.

Que um governante se rodeie de pessoas de confiança é óbvio. Mas no caso do gabinete de Soares trata-se de uma confraria de socialistas e maçons. Depois começou a distribuir elogios: foi à ante-estreia de Um Amor Impossível pela sua “grande admiração pela obra notável de António-Pedro Vasconcelos”; destacou “o trabalho notável de Paulo Branco” quando foi à rodagem do filme de Fanny Ardant; foi às Correntes de Escrita porque “a Maria do Rosário Pedreira e o Manuel Alberto Valente” lhe recomendaram. A isto se chama amiguismo, o gesto mais clamoroso sendo a nomeação de um velho apparatchik, Elísio Summavielle, para o CCB, em lugar de António Lamas, que por muitas razões que houvesse para ser substituído o foi de modo grosseiro”, lê-se na mais recente crónica de Seabra.

O conflito entre o ministro e o crítico já dura há alguns anos e João Soares escreve na sua página do Facebook que já em 1999 queria dar “um par de bofetadas” no crítico que teria “bolsado […] umas aleivosias e calúnias” sobre o agora ministro. O socialista conclui o seu texto afirmando que terá de procurar Augusto M. Seabra – e Vasco Pulido Valente – para “as salutares bofetadas”. “Só lhes podem fazer bem. E a mim também”, conclui João Soares. (OBSERVADOR)

por Catarina Falcão

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